Em plena manhã de setembro com um sol esperto e acolhedor para tantos, os olhos sapateavam a quatro patas no asfalto.
O cheiro presente no ar remonta-me aos odores da minha infância no Sítio Cajazeiras quando convive com os antigos olhos que povoam ainda minhas boas lembranças.
Hoje, são saudades.
Enquanto isso, olhos curiosos passeavam.
Uns andavam solitários em nome da saúde ou do trabalho. Outros bem acompanhados, mal acompanhados.
Olhos carinhosos cuidando dos olhos amados na figura da nação que defende ou na dos olhos pai, amante, amigo, irmão.
Dava-se então, início, diante de uma multidão de olhos atentos, ao espetáculo digno de olhos monarcas com aviões e helicópteros singrando os ares em meio aos arranha-céus, dando a impressão de que há suntuosidade e segurança aos olhos trabalhadores e sofridos que na sua humilde ingenuidade, acreditam que olhos “chiques” são mais dignos que os “bregas”.
Passa olhos na calçada, dialogando com ninguém, desnudos de encanto e beleza ao picadeiro montado sobre a indiferença dos olhos governantes diante da violência crescente na cidade.
Outros na sua tenra infância pedalando uma bicicleta rósea, nevoada com as belezas de olhos reais, comenta encantada:
- Que lindo esse desfile!?
E dialogam com os olhos da lei:
- Tudo bem, seu moço? E, aquele prontamente responde sem poder olhar de lado ou sorrir:
- Tudo bem!
Continuando seu passeio, inocentemente, os olhos infantis e meigos comenta novamente encantada:
- Que lindo esse desfile.
Podemos ver olhos contidos
sofrendo sobre a capa do uniforme.
Alguns bem intrépidos e bravios.
Outros parecem que carregam um peso a mais quase insuportável.
Ainda sobra espaço para relaxar com os olhos amigos
para fazer piadas.
Há olhos que chamam a atenção pela caricatura
outros passam despercebidos.
Não dá para deixar de ver olhos que,
por não caberem no capacete,
fazem saltar tanta bochecha!
E. o que dizer dos tão magros que
faz o capacete parecer um pêndulo?
Na verdade o que conta nesse cenário todo é a persistência e a luta desses olhos que estão na labuta defendendo, não só um discurso de civilidade e patriotismo, mas o sustento dos olhos rebentos que estão à espera do pão suado de cada dia.
A esses olhos patriarcas, aplaudo de pé.
Ana Lucia de Araújo
Set/2007
One comment
Convidar Amigos!
Você pode convidar alunos e colegas professores para visitar o seu espaço virtualna Unifreire. Pense em fazer este movimento...
Um abraço,
Katia
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