Fragmentação, ruptura, divisão, racionalismo sustentaram os modelos assistenciais curativistas no Brasil. A reforma Sanitária iniciada a partir de 1988 exige um novo pensar e um novo fazer no âmbito da formação e do cuidado em saúde. A Faculdade de Ciências Cultura e Extensão do Rio Grande do Norte-FACEX se propôs a superar esta lógica através da implantação de um Curso de Enfermagem que rompe com a perspectiva tradicional, pautado no pensamento complexo e que tem a Pedagogia Vivencial como o percurso metodológico para uma formação humanescente que prioriza o sentipensar. Esta realidade está sendo vivenciada, desde julho de 2005, através da implantação de um currículo transdisciplinar.

Discutir práticas educativas nos remete a reflexões críticas dessa contemporaneidade ontológica. Associamos-nos a preocupação de Morin (2003) quando afirma que necessitamos de novas bases teóricas e de novas práticas pedagógicas que favoreçam não apenas o desenvolvimento da inteligência humana, mas, sobretudo que colaborem com a reforma do pensamento humano. Pensamentos que nos ajudem a não mais dissolver o ser, a existência, a sociedade e a vida, mas a compreender o ser, a existência, a sociedade e a vida.

Sobre a reforma do pensamento, Moraes (2003) alerta que não pode estar separada da abertura do coração, do saber olhar o outro, do escutar, do entender, ou seja, de uma multidimensionalidade humana.

Cientes da complexidade desse humano (Homo) e da influência da cultura, dos sentimentos e das emoções no seu cotidiano em evolução, ousamos adotar no nosso curso a concepção de “humanescência” ao invés de “humanização”. Humanescência entendida como processo de expansão da essência humana que irradia luminosidade, beneficiando outros seres, a natureza, a sociedade e o planeta. Ou seja, um processo evolutivo que possibilita o despertar das essências humanas adormecidas pela coisificação do processo civilizacional e que prevalece na contemporaneidade da espécie homo sapiens. Assim, a saúde como um campo vivencial para humanescência necessita de uma educação humanescente (CAVALCANTI, 2005).

A formação humanescente se fundamenta na educação do ser humano, na integralidade de suas dimensões práticas e teóricas, ou seja, uma pedagogia voltada para a formação integral do ser, para o desenvolvimento da sua inteligência, de seu pensamento, de sua consciência e de seu espírito. Para isso, devemos possibilitar além dos saberes tradicionalmente disciplinares, o fluir de novos saberes, os saberes humanescentes, os quais emergem do interior do ser, da essência do humano, do belo, do sensível, do fluir, do deixar transparecer, do experienciar (CAVALCANTI, 2006).