O presente estudo focaliza o “sentipensar” sobre a obra Pedagogia da Autonomia do mestre Paulo Freire, aprofundando os saberes ludopoiéticos necessários à prática educativa, trazendo reflexões sobre a autonomia do Ser dos educandos sob a perspectiva dos princípios da corporeidade e da humanescência. Para o desenvolvimento do estudo e a produção de conhecimento contamos com a participação dos educadores-pesquisadores integrantes da Base de Pesquisa Corporeidade e Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Percorremos várias áreas do conhecimento, numa abordagem transdisciplinar, tendo como referência os estudos da Linha de Pesquisa Corporeidade e Educação do PPGEd/UFRN. A abordagem metodológica focaliza o estudo vivenciado na construção do cenário com a utilização do Jogo de Areia. Descreve-se os cenários construídos durante as vivências, na perspectiva da valorização e reconhecimento da importância da autonomia do Ser dos educadores-pesquisadores. A pesquisa apóia-se nas formulações teórico-metodológicas de Paulo Freire, Gaston Bachelard, Antonio Damásio, Maria Cândida Moraes, Paulo Roberto Padilha, Katia Brandão Cavalcanti, entre outros. O estudo ofereceu diversas oportunidades aos educadores-pesquisadores de corporeificar o pensamento Freireano por meio de uma pedagogia vivencial humanescente, cuja proposta metodológica se distancia das práticas pedagógicas restritas a aulas expositivas de conteúdos delimitados, sem conexão com a vida. Uma prática reflexiva que possibilita aos educadores valorizar a ludicidade, a criatividade e a sensibilidade. Busca-se a autonomia do ser dos educadores-pesquisadores através de suas experiências, vivência e interação consigo mesmo, os outros, a natureza e o universo. Uma prática viável que possibilita ao educador reflexivo as transformações necessárias para melhoria de suas condições de trabalho, de sua qualidade de vida. Assim, os saberes da autonomia apontados por Paulo Freire, revisitados por educadores- pesquisadores de várias áreas do ensino possibilitou uma retomada desses sujeitos a respeito de sua formação e prática pedagógica. Permitiu, sobretudo, uma releitura aos postulados Freireanos possibilitando a utilização de novas linguagens. Consideramos que o estudo sobre as dimensões epistemológica, metodológica e ontológica, distribuídas na obra Pedagogia da Autonomia, foi primordial para aprimorarmos a prática educativa, possibilitando uma reflexividade mais ampla sobre o conjunto dos nove saberes, totalizando os vinte e sete saberes tão necessários à prática educativa. Um verdadeiro reencontro com a Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire, fazendo-nos assumir o compromisso com a ressignificação da sua obra para a contemporaneidade da Educação do Século XXI.

Palavras-chave: Pedagogia da autonomia, corporeidade, humanescência.

Contato: natalaurea@yahoo.com.br

SABERES LUDOPOIÉTICOS NECESSÁRIOS À PRÁTICA EDUCATIVA

Áurea Emília da Silva Pinto Maria das Dôres da Silva Timóteo da Câmara Massilde Martins da Costa Mestrandas do PPGEd/UFRN

1. Reflexão Introdutória

De uma coisa, qualquer texto necessita: que o leitor ou a leitora a ele se entregue de forma crítica, crescentemente curiosa. (Paulo Freire, 2000)

O presente estudo focaliza o “sentipensar" sobre livro Pedagogia da Autonomia, saberes necessários à prática educativa do mestre Paulo Freire abriu portas e janelas das escolas e demais espaços educativos, em todos os cantos do Brasil e do mundo, em permanente diálogo com educadores sobre “a questão da formação docente ao lado da reflexão sobre a prática educativo-progressiva em favor da autonomia do ser dos educandos” (FREIRE, 2000 p. 14).

Os estudos e trabalhos da Base de Pesquisa Corporeidade e Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte com o objetivo de aprofundar o fenômeno da corporeidade no contexto da pedagogia vivencial humanescente, tem estimulado à produção de estratégias vivenciais para corporalização da obra do mestre Paulo Freire Pedagogia da Autonomia, os saberes necessários à prática educativa. Para desenvolvimento de estudos, pesquisas e produção de conhecimento o Ateliê ofereceu diversas oportunidades aos educadores-pesquisadores de corporalizar o pensamento Freireano por meio de vivências e práticas pedagógicas.

Destaca-se também o estudo sobre as dimensões epistemológica, metodológica e ontológica, distribuídas na obra Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire e, de acordo com as observações da professora Katia Brandão Cavalcanti, coordenadora da Base de Pesquisa, estão sistematizados da seguinte forma: no capítulo 1 – Não há docência sem discência, contém os saberes epistemológicos; no capítulo 2 – Ensinar não é transferir conhecimento, contém os saberes metodológicos; no capítulo 3 – Ensinar é uma especificidade humana – contém os saberes ontológicos. No qual, cada capítulo reúne um conjunto de 9 saberes, totalizando 27 saberes necessários à prática educativa de forma ampla e progressista, estimulando ao educando a Ser construtor de sua própria autonomia, no desenvolvimento de suas próprias capacidades para o “aprender a aprender”, tornando-se um eterno aprendiz.

O presente trabalho, além de contribuir com a ciência, o ensino e a pesquisa em educação, pretende sensibilizar professores, educadores, universitários, pesquisadores, estudantes, entre outros atores comprometidos com as Ciências Humanas, a Educação, a Corporeidade, e mais especificamente, com a Pedagogia vivencial humanescente, ajudando ao educador e aos educandos a assumirem e aperfeiçoarem sua própria autonomia.

2. Corporalizando saberes, por uma educação humanescente

O Ateliê de Pesquisa Corporeidade e Educação tem sido oportunidade de uma aproximação maior com as abordagens metodológicas específicas como a autobiografia, a Etnografia e a Etnofenomenologia, nas quais a ludicidade, a criatividade, a sensibilidade e a reflexividade autobiográfica e vivencial são pressupostos vivenciais fundamentais na perspectiva do saber pensar humanescente na educação, possibilitando ampliar as conexões com o mundo da corporeidade e da educação humanescente.

Com o coração e a mente aberta para a reflexividade, o sentirpensar, o ludopoiese, almejamos aperfeiçoar o saber fazer da vida uma obra de arte, guiados pela metáfora vida como obra de arte, que permite reconhecer que o fluir do impulso lúdico faz acender a chama da beleza nas nossas vidas, pensamento este apresentado como um desafio ludopoiético para a Formação do Espírito Transdisciplinar em Palestra proferida pela Prof. Katia Brandão Cavalcanti (2009), no III Congresso Internacional Transdisciplinaridade, Complexidade e Ecoformação, em Brasília, no ano 2008.

Assim, junto ao Ateliê de Pesquisa Abordagens Metodológicas para Reencantar a Educação nos dedicamos à produção de estratégias vivenciais para corporalizar os sete saberes necessários à educação transdisciplinar e transcultural: Saber olhar as emergências; Saber pensar o complexo; Saber humanescer; Saber ser planetário; Saber enfrentar as incertezas; Saber compreender o outro; Saber cuidar de si e do planeta.

Neste aspecto destacamos a importância do diálogo e aproximação com os diferentes saberes existentes na comunidade, como o trabalho que estamos desenvolvendo na Articulação dos Movimentos e das Práticas de Educação Popular em Saúde, especialmente no Estado do Rio Grande do Norte – ANEPS/RN, visando à melhoria da saúde e da qualidade de vida da população.

Para tanto, faz-se necessário, novos olhares sobre a natureza, buscar caminhos que nos leve a uma ação educativa e reflexão permanente sobre nosso papel como educadores, capaz de compreender melhor os fenômenos naturais e enfrentar a grave crise socioambiental da atualidade. Desta forma, criaremos novas possibilidades para avaliar a qualidade sociocultural e socioambiental da nossa própria formação e autoformação ludopoiética “para que estejamos sempre pensando e revelando como se dão as relações humanas e de aprendizagem” como ressalta Paulo Padilha (2007, p. 233), nesta busca constante de novas cores, sabores e sentidos para a educação humanescente.

Busca-se a sintonia entre a Corporeidade, a Transculturalidade e a Educação Humanescente no desejo de contribuir para que todos os membros da sociedade sintam-se felizes, orgulhosos de sua identidade cultural, de bem com a vida, consigo mesmo e com os outros.

Recomenda-se a reflexividade sobre os excessos de nossas bagagens, para aquilo que acumulamos ao longo do tempo, resultado dos processos formativos pessoal, profissional e acadêmico, fazendo-se necessário nosso desapego, pois impossibilita a abertura e a criação de novos espaços tão essenciais para os avanços nas novas trilhas da autoformação humanescente.

Mas, como estou criando as condições para a minha autoformação humanescente?

Corpo e mente se unificaram no tempo e no espaço. Nesse campo de energia, busca-se o sentirpensar sobre as condições para a minha autoformação humanescente. Algo que requer expandir nossos saberes, incluindo percepções, emoções e comportamentos. O mestre Paulo Freire nos orienta no livro Pedagogia da Autonomia, saberes necessários à prática pedagógica,

E o que dizer, mas sobretudo que esperar de mim, se, como professor, não me acho tomado por esse outro saber, o de que preciso estar aberto ao gosto de querer bem, às vezes, à coragem de querer bem aos educandos e à própria prática educativa de que participo. (FREIRE, 2000, p. 141)

Eis que veio a mente a idéia da formação do espírito transdisciplinar pela via da corporeidade. Vemos o quanto é importante nossa dedicação aos estudos, a nossa disponibilidade à alegria de viver. Lembramos também do quanto é importante a abertura à Pedagogia vivencial humanescente tendo ao centro a ludicidade, que conduz ao encontro com a autopoiese.

Para compreendermos melhor o significado de autopoiese lanço mão das idéias iniciais de Maturana e Varela relatadas por Fritjof Capra (2006, p. 88) ao escrever a Teia da Vida, uma nova compreensão científica dos sistemas vivos, na qual realça, “Auto, naturalmente, significa “si mesmo” e se refere à autonomia dos sistemas auto-organizadores, e poiese – que compartilha da mesma raiz grega com a palavra “poesia” – significa “criação”, “construção”. Portanto, autopoiese significa “autocriação”.

Como forma de expressar sentimentos e pensamentos sobre o Querer Bem nosso desejo foi imageticamente construir uma flor com cinco pétalas, representando as cinco propriedades ludopoiéticas: autotelia; autoterritorialidade; autoconectividade; autovalia e autofruição. Para tanto utilizamos o jogo de areia.

Ao mantermos aproximação com o cenário construído relembramos momentos importantes de nossa trajetória. Percebe-se que durante nossa vida passamos por contínuas mudanças e transformações, dependendo da interação no mundo em que vivemos. Neste sentido, compreende-se que ao assumir nossa autonomia seremos capazes de provocar as mudanças que queremos, entendendo tais mudanças como atos de cognição, ou seja, o próprio processo de vida, um movimento contínuo de reencantamento da vida.

Os estudos de Capra (2006, p. 211) descrevem que, “a cognição, de acordo com Maturana, é a atividade envolvida na autogeração e na autoperpetuação de redes autopoiéticas. Em outras palavras, a cognição é o próprio processo de vida”. Portanto, nossas atividades contínuas, nosso jeito de criar e recriar a vida, de transforma-la, de fazer da vida uma Obra de Arte é o próprio processo de viver. Capra (2006, p. 211), nas palavras de Maturana e Varela revela que “Viver é conhecer”. Desta forma, entendemos que é essa força energética que nos impulsiona ao gosto e desejo do Querer Bem.

No cenário construído anteriormente, colocamos no centro da flor algumas pedras lisas, límpidas, polidas, simbolizando a energia do amor à vida, unindo as partes num todo. Assim, distribuímos melhor o fluxo de energia sentida no corpo por inteiro. A sensibilidade, harmonia, beleza, alegria e satisfação iluminaram nossa obra prima. Arte viva da vida singular de uma educadora popular que busca o Querer Bem em tudo que faz. Nosso desejo é alimentando na alegria do fazer da vida uma obra de arte, com vistas na formação do espírito transdisciplinar pela via da corporeidade.

Assim, entre outras condições para a nossa autoformação humanescente busca-se a organização no ambiente familiar, manter laços de afetividade e amorosidade para com os nossos pais, irmãos, filhos, familiares e amigos. Viver uma vida lúdica, com mais prazer e alegria é uma meta a ser ampliada. Para tanto elevar a auto-estima é essencial.

Durante esses anos de trajetória como educadora popular vimos o quanto é importante o cuidado que devemos ter com o nosso corpo, a mente, o espírito. Aprendemos a desenvolver melhor o amor próprio, pois amando a nós mesmos, poderemos ajudar e amar melhor o outro. Portanto, cultivando a paz no interior do nosso Ser, ao semear a paz nos mais diversos ambientes que frequentamos, estamos criando melhores condições para nossa autoformação humanescente. Uma prática constante de autonomia, respeito, compromisso ético para conosco, para com os outros, e no mundo em que vivemos.

Fazer parte deste corpo humanescente, de entrelaçamento de vidas, de unidade com o todo da corporeidade, da ludicidade em si, nos traz alegria, esperança e otimismo; grandes possibilidades para as mudanças necessárias à educação; ajuda a construir e reconstruir os caminhos da vida pessoal e profissional permitindo desenvolver o espírito científico e o pensamento reflexivo, tornando-nos, cada vez mais, apta a cumprir nosso papel social, especialmente no campo da pedagogial vivencial humanescente e da educação popular em saúde.

Mas, como vivenciamos o querer bem na sua vida? Essa reflexão exigirá um maior espaço de tempo, dedicação aos estudos, tendo como norte os 27 (Vinte e sete) saberes da Pedagogia da Autonomia do mestre Paulo Freire (2000).

Aprofundar o “estar aberto ao querer bem”, como ensina o mestre Paulo Freire (2000 p. 141) nos remete a pensar nossa disponibilidade para o querer bem, primeiro a nós mesmos, segundo à nossa prática educativa. Isso não significa dizer que como educadora estou obrigada a querer bem aos educandos pelo simples fato de ser educadora, ou até mesmo querer bem ao educando na mesma medida que selo o meu compromisso para com este. Significa nossa disponibilidade à alegria de viver.

Como educadora-pesquisadora aprendemos na Base de Pesquisa Corporeidade e Educação a lidar melhor com as dificuldades que a própria vida nos oferece, harmonizando as energias, ultrapassando as barreiras existentes, superando os obstáculos. Busca-se vivenciar o querer bem na vida pessoal observando melhor nossas atitudes, ações e reações para com o outro, e com o mundo em que vivemos. Atuar na sociedade como educadora popular, junto a ANEPS – Articulação dos Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde, partilhando saberes sobre ações básicas de saúde, educação, nutrição e cidadania também é algo valioso e exige um querer bem muito especial aquilo que fazemos, principalmente junto aos mais carentes e necessitados, excluídos dos direitos humanos essenciais.

É também desejo intenso fazer da vida uma obra de arte, para tanto cultivamos a cada dia as propriedades ludopoiéticas, pela via da corporeidade, um verdadeiro exercício para o querer bem na nossa vida.

Sente-se, com a retomada da reflexão sobre a temática Pedagogia da autonomia, motivação pela curiosidade epistemológica, uma maior consciência do nosso papel como educadores pesquisadores. Uma ferramenta pedagógica bastante criativa que tem apoiado os estudos da Base de Pesquisa é o Jogo de Areia, que tem despertado grande interesse dos educadores e pesquisadores da Base de Pesquisa Corporeidade e Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a exemplo do que corre pelo mundo afora. Exprime com beleza e delicadeza os cenários de nossas intervenções no mundo, especialmente os espaços educativos externos as salas de aula convencionais. Efetivamente, o jogo de areia contribui para nossa formação e autoformação humanescente, estimulando a ludicidade, o desejo estético, a percepção, os sentidos, tornando a vida mais dinâmica e bela.

Neste contexto, o educador, a educadora tem um papel fundamental de proporcionar experiências geradoras de prazer, sinalizando caminhos, para que os educandos, de forma consciente e responsável, sejam capazes de se apropriarem do conhecimento. Tornando-se, assim, um ser capaz de intervir como agente transformador, quando for necessário, no ambiente em que vive, percebendo criticamente seu espaço social, como membro da natureza humana, participante da política educacional e social. A reflexividade sobre as Vivências marcantes do querer bem na vida profissional torna-se importante para as mudanças e transformações sociais que desejamos. É um estímulo para todos os educadores-pesquisadores na busca da sintonia com o campo de investigação, para o desenvolvimento da autopoiese. Uma tarefa inacabada e seguramente inacabável.

Por isso, tenho a segurança e a certeza que a Educação popular em saúde e a pedagogia vivencial humanescente é uma necessidade e um direito de todo cidadão e cidadã. Sua arte e beleza torna-se nossa alegria de viver, um elemento importante para nossa autoformação no campo social e profissional. Paulo Freire (2000, p. 107) enfatiza “Quanto mais penso sobre a prática educativa, reconhecendo a responsabilidade que ela exige de nós, tanto mais me convenço do dever nosso de lutar no sentido de que ela seja realmente respeitada”. Resta-nos desenvolver, cada vez mais, o querer bem à nossa atuação profissional, com autonomia e amor ao conhecimento, aos saberes necessários à prática educativa.

3. Reflexão ludopoiética sobre a autonomia do Ser

A continuidade dos estudos sobre a Pedagogia da Autonomia, saberes necessários à prática educativa, sob orientação da Professora Katia Brandão nos conduziu a reflexividade sobre o processo de construção da autonomia do educando.

No Capítulo 3 do livro Pedagogia da Autonomia “Ensinar é uma especificidade humana” o mestre Paulo Freire (2000, p. 102) ressalta que “[…] uma das qualidades essenciais que a autoridade docente democrática deve revelar em suas relações com as liberdades dos alunos é a segurança em si mesmo”. Certamente, aprofundar os estudos e a reflexividade sobre essa temática ajudará a melhorar nossa prática educativa, ampliando o conhecimento e as condições para a autoformação humanescente.

Para tanto, assumiremos nossa responsabilidade, na perspectiva da reinvenção do ser humano no aprendizado de sua autonomia. Como forma de corporalizar o conhecimento fomos desafiados a trabalhar em equipe com a tarefa de criarmos um personagem educador com aspectos que contemplasse alguns elementos de cada participante do grupo. Para uma melhor compreensão do texto e da atividade realizamos uma leitura interativa do Capítulo 3, no qual aprofundamos os sub-temas “Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo” e “Ensinar exige liberdade e autoridade” do livro Pedagogia da Autonomia.

O momento de reflexão e debate entre os elementos do grupo foi enriquecido com a definição do nome do personagem educador, sendo identificado pelo nome de Autotélico da Silva. Um jovem educador de beleza singular, origem mestiça, que percorreu a infância e a adolescência no ambiente familiar e social em equilíbrio. Seu sucesso foram-lhe outorgados pela tradição da cultura familiar, da dignidade do trabalho, da afetividade de um lar sadio e do bom exemplo dos pais. Os valores humanos, como respeito, amorosidade, atenção, compromisso e responsabilidade para consigo mesmo e para com os outros, já enraizados em sua personalidade são conseqüência de uma conquista pessoal, mas também herança dos antepassados próximos.

Refletir sobre os saberes da especificidade humana traz na lembrança o educador, a educadora como agente político, que se revela nas suas intervenções no mundo, principalmente num mundo desigual, no qual, para muitos, as alternativas são poucas, para outros, existem grandes possibilidades ainda inexploradas.

É preciso não cruzar os braços, ser capaz de observar, analisar, decidir, romper com a ordem vigente, acolher idéias inovadoras que possibilitem uma vida digna e saudável para todas as pessoas.

Para tanto, utilizaríamos uma diversidade de elementos plásticos, tais como: massa de modelar, miniaturas, tecidos, tensores, entre outros recursos lúdicos. Momento de muita partilha e brincadeira, instigante para nossos sentidos, para as futuras produções com linguagens verbais, cênicas, musicais.

Nosso desejo era de criar algo possivelmente inovador que possibilitasse a utilização de novas linguagens, percorrendo as várias áreas do conhecimento que comportasse a teia teórico-metodológica da corporeidade, qual seja, a afetividade, a criatividade, a autonomia, a curiosidade epistemológica, a investigação científica, numa abordagem transdisciplinar, de caráter vivencial.

A partir da reflexividade sobre o tema criamos uma dramatização por meio da expressão corporal, na qual, apresentamos o que acreditávamos ser a essência da Pedagogia da Autonomia, os saberes necessários à prática educativa, os conceitos abordados por Paulo Freire (2000). O cenário focalizou nossas reflexões, pensamentos, desejos, sonhos, os novos conhecimentos adquiridos, alguns registros contidos na imaginação. Antonio Damásio (2009, p. 419) nos estudos sobre os sistemas cerebrais subjacentes à mente, nos ajuda a compreender O mistério da consciência afirmando que,

Toda a nossa memória, herdada da evolução e disponível ao nascermos ou adquirida desde então pelo aprendizado, – em suma, toda a nossa memória sobre coisas, propriedades das coisas, pessoas e lugares, eventos e relações, habilidades, regulações biológicas, tudo -, existe na forma dispositiva, aguardando para tornar-se uma imagem explicita ou uma ação.

Aprofundando os estudos sobre a Pedagogia da Autonomia (FREIRE, 2000) na Base de Pesquisa Corporeidade e Educação compreende-se melhor a proposta de formação ludopoética, que tem como referência as histórias de vida, a própria vida, brincadeiras com sentido lúdico, a criatividade, o sentipensar com alegria de viver. Desta maneira, manifestamos através de movimentos a expressão do educar e do aprender com autonomia; fazendo uso da liberdade e da coragem para romper com a visão cartesiana do ensino-aprendizagem.

O espírito com que realizamos a tarefa da dramatização por meio da expressão corporal é revelado através do pensamento de Gaston Bachelard (2006, p. 71), pois “De fato, o devaneio da psicologia imaginante, em qualquer romancista, segue as múltiplas projeções que lhe permitem viver ora em animus, ora em anima na pessoa de suas diferentes personagens”.

Acreditamos, assim, poder mostrar que Autotélico da Silva é verdadeiramente nossa imagem e semelhança, corporalizadas nas propriedades ludopoiéticas, apresenta a comunhão de nossas idéias, valores e atitudes, que se revelam na autonomia de cada Ser.

A partir da reflexividade em grupo, cada equipe criou uma dramatização por meio da expressão corporal, na qual, apresentaríamos o que acreditávamos ser a essência desses conceitos abordados. Para partilha desse saberes, organizou-se um grande espetáculo, uma belíssima festa, na qual cada educador refletiu sobre seu personagem, o seu próprio agir, demonstrando o processo de construção de sua própria autonomia, como resposta ao aprofundamento e estudos sobre os saberes necessários à prática educativa tão bem expresso na Pedagogia da Autonomia do mestre Paulo Freire. Momento enriquecedor para todos os educadores e educandos presentes, oportunidade de uma aproximação maior com as idéias, criatividade e a ludopoiese dos grupos: o Jardineiro Gentileza, o Educador Amoroso, o Equilibrista Amoroso e Autotélico da Silva.

Assim, entendemos a importância da ação coletiva para a transformação social. O diálogo permanente e a articulação das forças sociais, a colaboração entre educadores, educandos, comunidades.

Desta forma, em nosso modesto estudo do Capítulo 3 do livro Pedagogia da Autonomia “Ensinar é uma especificidade humana” (FREIRE, 2000, p. 102) e na apresentação do personagem Autotélico da Silva revelou-se, além das qualidades de um educador-pesquisador, a liberdade e a segurança necessária para melhoria de nossa prática educativa, ampliando os saberes e as condições para nossa autoformação humanescente.

Portanto, compreende-se que o processo de construção da autonomia do educando é contínuo e inacabado, com grandes possibilidades de uma vida pessoal mais bela e feliz, na qual, assumiremos profissionalmente nossas responsabilidades e compromissos na perspectiva da reinvenção do ser humano, no aprendizado de sua autonomia, com vistas no reencantamento da Educação. Um projeto de vida digna e saudável para as gerações presentes e futuras, aberto a outras linguagens e conhecimentos, conceitos e referências resultantes dos avanços das ciências e dos novos paradigmas da educação.

Para corporalizar os saberes metodológicos contidos no segundo capítulo da obra Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire “Ensinar não é transferir conhecimento” o grupo optou explorar a linguagem musical, destacando as possibilidades e limitações do educador no seu exercício docente em meio à diversidade de conhecimentos existente.

Nota-se desde o princípio que houve afinidade e encantamento dos educadores-pesquisadores com a arte e a beleza da música, suas partituras, notas e pautas, já que no grupo havia duas integrantes do corpo da escola de música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Entendendo que a educação é um processo social, o desenvolvimento de uma prática contínua decidiu-se construir coletivamente um concerto ludopoiético para corporalizar os saberes metodológicos, na perspectiva de ajudar os educandos a melhor compreender a construção de sua própria autonomia.

O personagem Autotélico da Silva foi o grande inspirador do grupo, de fundamental importância para a corporalização dos nove saberes metodológicos que constituem o “Ensinar não é transferir conhecimento”, colaborando para a reflexividade ludopoiética, o sentirpensar com “humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educandos”, criando possibilidades para a apreensão da realidade da própria vida, especialmente para luta e conquista por uma educação transformadora, transdiciplinar e humanescente.

O foco maior foi a ludopoiese do educador mediante os desafios de educar com alegria e humildade em meio a violência, o descaso, o individualismo, a indiferença da sociedade e muitas vezes das dificuldades pessoais dos próprios educandos. Para tanto, busca-se sintonia com o pensamento Freireano (2000, p. 77): “Mulheres e homens, somos os únicos seres que, social e historicamente, nos tornamos capazes de apreender. Por isso, somos os únicos em quem aprender é uma aventura criadora, algo, por isso mesmo, muito mais rico do que meramente repetir a lição dada”.

Reconhecemos também as responsabilidades individuais e coletivas diante dos problemas decorrentes das injustiças sociais; discutimos o desenvolvendo de ações que leve a uma luta política consciente, crítica e organizada, por uma educação transformadora. Nosso objetivo comum era sensibilizar a sociedade sobre a importância da valorização da educação e todas as pessoas que a constituem, baseada cada vez mais na capacidade criativa e autônoma do educando, e em seu potencial para inovar e tornar mais belo e prazeroso os espaços educativos.

Compreende-se que o trabalho é elemento essencial de todo desenvolvimento e assume uma importância decisiva nas questões sociais no sentido de tornar a vida mais humana. A Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada pela ONU em 1948 traz em seu artigo 23, o Direito ao Trabalho como um dos direitos básicos do homem e da mulher. A Organização Internacional do Trabalho – OIT estabelece que o trabalho decente “[…] é um trabalho produtivo e adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, equidade e segurança, sem qualquer forma de discriminação, e capaz de garantir uma vida digna a todas as pessoas que vivem de seu trabalho”. Neste sentido vemos que há muito a ser feito pela educação, em especial pela valorização dos trabalhadores, as condições de trabalho. Dando continuidade a esse propósito, decidimos corporalizar a música em nossas vidas, na prática educativa, destacando o ser humano, fonte de toda riqueza criativa, em sinal ao compromisso dos educadores com a transformação da realidade social.

A apresentação sobre o estudo dos saberes metodológicos apontada por Paulo Freire deveria expressar que a educação se faz através da partilha, na troca de experiências e conhecimentos, na interação com o outro, com o grupo. Deveríamos mostrar os espaços educativos onde a fala, a escuta, o silêncio, os ruídos são elementos essenciais na construção do aprendizado; o ambiente onde todos aprendem e constroem sua autonomia, re-conquistam o prazer em descobrir, em aprofundar, em conhecer, em provocar as mudanças necessárias na educação.

Fazer com que a prática educativa consiga ir além do atendimento às meras necessidades e demandas do mercado capitalista, muito além, à simples transferência de conhecimento, ultrapassando a educação meramente bancária e conteudista.

Nosso desejo foi, e continuará sendo, promover uma educação, que vai além, aponta e abre novos caminhos; constrói pontes, prepara o Ser humano para a vida. Uma educação, na qual todo cidadão, toda cidadã seja responsável por suas atitudes no mundo em que vive, na preservação da grande casa comum, o planeta terra, planeta da vida, em vista da sua sustentabilidade; que expresse a beleza e o encantamento ao mundo em sua constante transformação; tenha consciência de seus direitos e deveres; seja ético, enfim, seja uma pessoa comprometida com a vida, um eterno aprendiz, e acima de tudo, um Ser feliz!

Reunindo os diferentes saberes criamos o personagem, planejamos a apresentação, compomos uma narrativa humanescente de mudança possível, na busca de orientação e de propostas que evidenciem e aprofundem o sentido da vida, promovendo uma nova educação, capaz de romper com as desigualdades de classe, de gênero, raça e etnia, combater a discriminação, cuidar do planeta, valorizar o respeito à dignidade humana, estimular o diálogo e cooperação, a partir da realidade concreta dos componentes do grupo.

Na prática, isso deveria acontecer em diversos espaços educativos, em universidades, em escola pública ou privada, em instituições comprometidas com as mudanças, que podem contribuir com o desenvolvimento da educação, da corporeidade, da ludopoiese e da humanescência. Optamos pelo espaço externo da sala de aula, na própria UFRN.

Para tanto, organizamos a apresentação musical para representar a apreensão dos tópicos estudados. Elegemos e corporalizamos cinco notas musicais interrelacionando-as com as cinco propriedades da ludopoiese, aprofundadas nos estudos da Base de Pesquisa Corporeidade e Educação, sob orientação da Prof Katia Brandão Cavalcanti: autotelia, autoterritorialidade, autoconectividade, autovalia e autofruição.

Além de organizarmos uma pauta musical, resolvemos corporalizar literalmente notas musicais, utilizando figurinos e cenários adequados à temática. Para representação cantamos as notas utilizando cores específicas para cada uma, por meio de um teclado, cujas cores e sonoridades expressavam os valores ludopoiéticos do ser humano, que o educador pode desenvolver sob diversas formas na sua vida pessoal e profissional.

Então, o educador Autotélico da Silva tornou-se um grande animador cultural de nossa atividade, se fez presente em cada momento ludopoiético, estimulando nossa capacidade criadora e criativa, nossa curiosidade, com muita animação, risos, brincadeiras, colocando na prática as possibilidades de uma educação transformadora, alegre, humanescente. Só então nos foi possível reconstruir um mal aprendizado, um conteúdo simplesmente transferido por nossos educadores.

Isso envolve o uso de métodos, de técnicas inovações, sonhos, utopias, ideais, elementos presentes nos estudos da corporeidade, especialmente na Pedagogia vivencial humanescente. Paulo Freire (2000, p. 77) realça que, “A nossa capacidade de aprender, de que decorre a de ensinar, sugere ou, mais do que isso, implica a nossa habilidade de apreender a substantividade do objeto aprendido”. Portanto, permaneçamos abertos e aptos à produção de novas metodologias, novos conhecimentos, no exercício constante de nossa autonomia.

Para o estudo do primeiro capítulo da obra de Paulo Freire Pedagogia da Autonomia “Não há docência sem discência” o grupo prosseguiu investindo na musicalidade e na expressão plástica e cênica para apreender e interpretar os tópicos “Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo” e “Ensinar exige risco e aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação”.

Nesta fase o grupo já manifestava um processo de autofruição e autoconectividade com os saberes da autonomia de modo que rompemos com o uso do teclado de tecido que representava as propriedades ludopoiéticas do educador autotélico para nos transformarmos no próprio teclado para representar os tópicos mencionados anteriormente.

Podemos dizer que corporeificamos os saberes da autonomia literalmente ao nos revestirmos como notas musicais com suas singularidades e valores sonoros que em conjunto se conectam para produzir harmonia estética em forma de música. Vivemos esse momento com muita alegria, principalmente pelo exercício do aprender a conhecer. Não nos referimos a uma aprendizagem que visa tão somente à aquisição de conhecimentos, mas uma aprendizagem concreta, próxima de nossa realidade, no prazer de conhecer e compreensão o mundo em que vivemos, especialmente no âmbito dos espaços escolares, sob os diversos aspectos da criatividade ludopoiética, sensível a beleza da prática educativa, criando um clima favorável a relações humanescentes, onde haja abertura e aconteça a aprendizagem. Isso exige do educador o despertar de uma consciência ingênua para uma consciência crítica reflexiva, mediante a aquisição de autonomia na capacidade de saber discernir, corporeificando a palavra pelo exemplo, como ensina Paulo Freire (2000, p. 38).

Para tanto, temos que arriscar e ter consciência do nosso inacabamento e da importância de exercitarmos a atenção, a memória e o pensamento desde a infância, no ambiente familiar, podendo ser enriquecido nos espaços educativos.

No geral, apresentamos as propriedades ludopoiéticas e sua relação com os saberes da autonomia do mestre Paulo Freire, conhecimentos estes indispensáveis à prática docente. As vivências e corporalização desses saberes ajudaram a resgatar a amorosidade nas relações entre os educandos e o educador, o prazer e a beleza da prática educativa, favorecendo as atividades e estudos da Base de Pesquisa Corporeidade e Educação, no pensar e agir pra construção de uma educação transformadora e humanescente.

4. Algumas Considerações…

Refletir sobre uma obra tão conhecida no campo da educação é sem dúvida um enorme prazer, mais ainda, em se tratando do livro “Pedagogia da Autonomia, saberes necessários à prática educativa” do mestre Paulo Freire (2000), tão conhecido no Brasil e o mundo. Um diálogo tão necessário na atualidade dos educadores especialmente sobre a prática educativa em favor da autonomia do Ser dos educandos.

Sem dúvidas, as atividades do Ateliê de Pesquisa Reencantando a Educação, enriqueceram nossa prática educativa, oportunizando a reflexividade sobre a importância da construção e da valorização da autonomia do educando. Aprendemos novas formas e metodologias que ajudarão a provocar mudanças e inovações criativas dos espaços educativos, facilitando a didática do ensino, consequentemente a aprendizagem do educando, objetivo principal da educação.

A arte e beleza tiveram presença constante nas atividades desenvolvidas, aperfeiçoando e aprofundando o estudo do fenômeno da corporeidade no contexto da pedagogia vivencial humanescente, servindo de estímulo à produção de estratégias vivenciais para corporalização desta obra tão significativa do mestre Paulo Freire.

Considera-se que o estudo sobre as dimensões epistemológica, metodológica e ontológica, distribuídas na obra Pedagogia da Autonomia, é primordial para aprimorarmos nossa prática educativa, possibilitando uma reflexividade mais ampla sobre o conjunto dos nove saberes, totalizando os vinte e sete saberes tão necessários à prática educativa, ajudando ao educador e aos educandos a assumirem e aperfeiçoarem sua própria autonomia.

Referências

AMMANN, Ruth. A terapia do jogo de areia. Imagens que curam a alma e desenvolvem a personalidade. Trad. Marion Serpa. São Paulo: Paulus, 2004.

BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. Trad. Antonio de Pádua Danesi. 2ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

BACOR. Ateliê de pesquisa abordagens metodológicas para reencantar a educação Base de Pesquisa Corporeidade, Ludicidade e Educação. UFRN, 2009.2.

CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Tradução Newton Roberval Eichemberg. São Paulo: Cultrix, 2006.

CAVALCANTI, Katia Brandão. Comunicação pessoal. Seminário de Pesquisa BACOR-PPGED/UFRN, 2008.


. Corporeidade, sensibilidade e transdisciplinaridade: o desafio ludopoiético como obra de arte da vida. In: III Congresso Internacional Transdisciplinaridade, Complexidade e Ecoformação, set. 2008, Brasília. Anais, CD, Brasília, Universidade Católica de Brasília, 2008a.


. Jogo de areia e transdisciplinaridade: desenvolvendo abordagens ludopoiéticas para a educação e a pesquisa do lazer. Revista Licere, vol. 11 (3), 2008b.

CAVALCANTI, K. B. e MAIA, S. C. F. A formação ludopoiética do profissional do lazer: um desafio para sua autoformação humanescente. In: III Congresso Internacional Transdisciplinaridade, Complexidade e Ecoformação, set. 2008, Brasília. Anais, CD, Brasília, Universidade Católica de Brasília, 2008.

CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly. In: A descoberta do fluxo. São Paulo: Sairava, 1990.

DAMASIO, Antonio. O mistério da consciência. Trad. Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.


. Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. 16 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

HUIZINGA, Johan. Homo Ludens: O jogo como elemento da cultura. São Paulo: Perspectiva, 2001.

MATURANA, Humberto; DÁVILA, Ximena Paz. Educação a partir da matriz biológica da existência humana. Tradução: Leda Beck. UNESCO. Chile: Revista PRELAC, 2006.

PADILHA, Paulo Roberto. Educar em todos os cantos: reflexões e canções por uma educação intertranscultural. São Paulo: Instituto Paulo Freire. Cortez Editora, 2007.

SCHILLER, Johann Chistophe Friedrich von. A educação estética do homem. Numa série de cartas. Trad: Roberto Schwarz e Márcio Suziki. São Paulo: Iluminuras, 1995.

*Trabalho apresentado no VII Colóquio Internacional Paulo Freire, no período de 16 a 18 de setembro de 2010, em Recife/PE. Realização Instituto Paulo Freire e UFPE. Eixo: (1) Educação e Cultura