Dayse Alves

(Continuando a reflexão)

      Pois é, agora é a hora de compreender passo a passo a teoria. A concepção de Educação, a organização da proposta e a didática propriamente dita. Eu particularmente, compreendo a  concepção de Educação apresentada pelo Profº João Francisco de Souza como sendo aproximada da concepção Freireana, avançando em elementos como a cultura, o João Francisco entende a Educação como processo  de atividades culturais para o desenvolvimento da cultura, contribuindo para a promoção de suas positividades e superação de suas negatividades na busca da construção da humanidade de todos os seres humanos em todos os quadrantes da pós-modernidade/mundo.

      E agora, essa concepção de educação sustenta uma hipótese de trabalho no sentido de que a diversidade cultural na sociedade brasileira pode possibilitar um diálogointer e intra-cultural na construção de processos educativos com as camadas populares que respondam ao desafio dessa pós-modernidade/mundo.

      Em meio a essas concepções, sempre "cochichávamos” (Eu e Lorena Cavache - a fruta importada da Colômbia, mais um componente da salada, lembram?), como poderíamos alcançar os objetivos de uma Educação que busca a humanização, como e quando poderemos dialogar a interculturalidade na realidade... E outras, mais outras perguntas que pareciam emergir a cada conversa.

      Nesse sentido, com o que alguns poderiam chamar de coerência conceitual, concordo que a concepção de Educação escrita acima, encontra na concepção de Prática Pedagógica enquanto Práxis o caminho, a forma de alcançar os seus objetivos. A Práxis Pedagógica pode ser entendida enquanto a instituição não burocrática, que passa a considerar as contradições da vida.

      Nas conversas sobre a organização dessa prática apresentada no livro “E a Educação Popular: ¿¿ Quê?? Uma Pedagogia para fundamentar a Educação, inclusive Escolar, necessária ao povo brasileiro”, o João Francisco coloca que a educação, inclusive a escolar, é uma questão essencialmente Política, portanto, um problema Ético que se transforma numa Pedagogia que ainda podemos chamar de teoria da educação.

      Considero que o modo de vivenciar o que está sendo esta prática, a participação, seus alcances, suas contradições, ou mesmo suas possibilidades de evolução, possibilita a efetivação dos objetivos a que busca a educação como se apresenta no livro "Pesquisa –Ação Participativa: ¿¿Quê?? Desafios à construção coletiva do conhecimento”. Experimentar, experienciar, interpretar, apropriar-se da vivência significa para o João Francisco de Souza, atuar, emocionar-se e pensar, formular o sentido de seu envolvimento em tal processo (e os cochichos continuavam... Um certo Profº de matemática sempre incomodava-se com os comentários do João sobre as "inúteis” equações de primeiro grau, completamente dissociadas da realidade e descartáveis... Graças a Deus- se não eu estaria frita).

      E daí, podemos continuar afirmando que a investigação ação-participativa quando se encontra sistematizada se revela como um instrumento didático que pode ajudar a desenvolver a capacidade de invenção, de criação, de cultivo da inteligência crítica, de revolucionar as relações sociais privilegiando a dignidade de ser humano em suas expressões masculinas e femininas, como referência fundamental da vida. Aliás, enfatizo o princípio metodológico fundamental da Pesquisa Participante, tratando inclusive do papel do educador nessa investida. Em algumas palavras contribui a contribuir a dimensão da humanidade do ser humano individual e coletivo.

      Mais cochichos... Produtivos e muito pertinentes as conversas que sempre buscavam uma ponte entre o fazer docente e as "Tiurias”, sempre muitas perguntas e muitas respostas, e como não poderia deixar de ser diferente, novos desafios...

      E um atrevimento, substancialmente justificado, mas atrevimento do Profº João Francisco (acho que realmente a intenção era ser a gota d’agua que inundaria o mundo e eu quero mais é está no meio do oceano, caminhando sobre as águas Fransfreireanas!!!!) Mas, voltando ao atrevimento, o Homem propõe a desvinculação da Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) da Educação Superior. Buscando realizar a Educação Básica como meio de compreensão, explicitação, interpretação da multifacetada realidade humano-social e natural, suas instituições, problemáticas e possibilidades. Organizar a Educação Básica independente da seriação, disciplinas e hierarquias. Acabar com as provas, exames, competições entre os estudantes, mas, sem deixar de avaliá-la rigorosamente em todos os momentos, ações e resultados. Uma boa retomada dos princípios didáticos da pesquisa ação-participativa. Abandonar a preocupação com a Educação Superior ou mesmo abandonar a visão mercadológica que acompanha todos os níveis da educação escolar.

      Pensando bem, a ousadia de propor nos mostra o desenho de um paradigma inovador, que aponta os meios para atingirmos os inícios e os fins, no entanto os entraves muitas vezes partem de nós mesmos que apesar de repetirmos o discurso de uma "Educação Transformadora”, reforçamos a cada prática a reprodução da "Educação Repressora”. Muitas vezes assim é, mas não significa que vai continuar a ser assim, a semente foi lançada (e de um monte de frutas, legumes, até verduras). E agora: ¿¿O Que??  Basta que cultivemos a cada dia, a cada reflexão e a cada ação.

 Sentimentos expressos em um momento de reflexão profunda em

que me encontro em diálogo com as lembranças e o compromisso

de minha ação educativa... Compartilho de um sentimento

indescritível e que se apodera de minha razão, me ilumina a alma e

me trás inspiraçao...