Nos últimos anos, particularmente neste início de século XXI, é grande o debate sobre a paz como valor a ser agregado na vida. A tarefa hoje é buscar um núcleo de idéias mais claras sobre a questão que todos reconhecem como fundamental, mas, ao mesmo tempo, difícil de ser mapeada enquanto possibilidade pedagógica para o cotidiano escolar. Perguntamos: como a Educação em geral pode incorporar uma Educação para a Paz (EP)? Quais os elementos constitutivos dessa EP? É possível realmente educar para a paz? Sonho, utopia, realidade ou necessidade concreta?
Se partirmos das questões expressas pelo Centro Internacional de Investigação e Informação para a Paz - CIIIP (2002), segundo as quais, desde os anos 80, na América Latina, cresce o quadro da violência organizada, reaparecem doenças infecto-contagiosas, aumenta o uso de drogas, cresce a exploração de crianças e menores, dissemina-se discriminação racial e de gênero e se evidencia a desintegração social, percebemos que existem situações concretas que inserem o Brasil neste cenário de violências.
Segundo o CIIIP na América Latina é grave a violência estrutural, não como fruto de violências de indivíduos concretos, mas resultado de um sistema social que oferece oportunidades desiguais. Ainda, para o CIIIP, essa desigualdade pode conduzir pessoas e países à "desintegração social, diminuir as formas de ação solidárias e cooperativas, aumentar a desconfiança mútua e dificultar os processos de governabilidade e os acordos políticos" (2002, p.104).
Acreditando que pensar, discutir e estruturar ações da EP é realidade necessária, devemos estar atentos para o alerta de Guimarães[1] quando diz que diz o estudo da paz, apesar de oferecer espaço para argumentação positiva, deve interpretar "os sentidos e significados que se nos oferecem, de modo a melhor circunscrever a temática da paz e não violência e da educação para a paz" (2005, p.28). Mesmo assim, há certo ceticismo de muitos professores em relação ao tema, justamente pela não discussão crítica sobre a própria paz, com os limites e possibilidades que oferecem na vida em sociedade e nas escolas. Ainda Guimarães diz que a EP, pela sua trajetória nas ultimas décadas, especialmente na constituição de um conjunto teórico e metodológico e o afastamento da idéia de modismo, "necessita ser estudada, conhecida, debatida, para que as propostas de educação para a paz, em terras brasileiras, ganhem fôlego e sustentação" (2005, p.320).
(fragmentos do arquivo)
[1] Vale ressaltar o trabalho do Prof. Dr. Marcelo Rezende Guimarães como coordenador da ONG Educadores para a Paz (Porto Alegre). Seu livro Educação para a Paz: sentidos e dilemas é fundamental para quem pretende conhecer mais os fundamentos da EP.




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