Olá pessoal!
Aproveitando que foi recém publicada a Cartilha sobre Bullyng, lançada pelo Conselho Nacional de Justiça e o tema está "dando ibope", fazemos uma reflexão sobre o Bullyng.
Escrevo isso e concordo com alguns argumentos que analisam criticamente o texto da cartilha. Vejam em http://66.228.120.252/artigos/2595602 . Esta análise observa alguns problemas na forma da escrita da cartilha que podem confundir a interpretação das pessoas.
Abaixo mais algumas considerações que contribuem com essa reflexão sobre o Bullyng:
Primeiro, cabe dizer que quanto mais se fale sobre violências na sociedade e nas escolas é fundamental para enfrentá-las, porém, quando isso vem de maneira superficial corre-se o risco do efeito ser contrário, ou seja, passar como modismo mesmo, especialmente nesse caso, em que insiste-se em dizer que é trata-se de um termo "que não tem tradução" para o português. Então por que não chamar "violências" contra colegas, para que buscar palavras diferentes? A violência/assédio moral contra crianças, colegas na escola fica pior se for chamada de Bullyng? Ou fica "melhor" ??? Lembramos inclusive que é muito fraco o argumento comparativo do Bullyng em países diferentes, pois não existem ainda instrumentos internacionais comparativos de qualidade, pois culturas diferentes tem percebem certos tipos de comportamento como "mais" ou "menos" violento e ainda, o que é considerado situação contrangedora numa cultura nem sempre tem correlação em outros espaços.
Permitam uma comparação com termos que parecem um pouco vulgares, mas nesse caso necessários: Vocês já ouviram na expressão "O RABO ABANAR O CACHORRO?" A lógica diz que o cachorro é maior e deve abanar o rabo. Nesse caso CULTURA DE VIOLÊNCIA É MAIOR, AS VIOLÊNCIAS (NAS FAMÍLIAS, DE GÊNERO, CONTRA A MULHER, CRIANÇAS, ETNO-RACIAIS, SOCIAIS, entre tantas) seriam o "cachorro" o Bullyng, que é "um dos desdobramentos" das violências, seria o "rabo".
O que seria o "rabo abanar o cachorro" é o que estamos vendo com toda essa divulgação sobre o Bullyng. Parece que toda a violência não é tão importante, OU AINDA, QUE NÃO É A ORIGEM do próprio Bullyng. Ainda tem se tratado o "fenômeno bullyng" como algo isolado, que se dá por si só, meio "descolado" das questões do clima escolar, do fortalecimento das redes de proteção social, dos mecanismos escolares que geram ou facilitam a ocorrência ou a "manifestação do fênomeno" no cotidiano escolar. Lembrando que os dados sobre violências nos banheiros das escolas, nos "cantos" escuros ou isolados da escola, são apontados por vários estudos, como locais e violêcia, logo, onde deveria haver atenção e cuidados. Nessa reflexão não aprofundaremos nesse dados. Mas insistimos que se pense que existe ainda muitas coisas para aproximar de maneira correta essa conversa toda sobre o tema, especialmente pelo grupo que mais tem sofrido com a questão, os educadores e educadoras.
No mínimo é necessário que se aproxime essa discussão ouvindo perspectivas diferentes (a tendência é que profisisonais da psicologia abordem a questão pelo viés dos "casos", (o que é legítimo à sua formação), mas que dá uma sensação que é só detectar e trabalhar à luz dos especialistas em comportamento. O que não é tão simples assim é que profissionais da educação apenas recebam algumas "dicas de como lidar com isso". A questão das violências escolares é mais ampla e sistêmica, tendo várias dimensões que precisam ser pensadas juntas como: violências na comunidade, a cultura de violência no entorno das escolas, as configurações familiares, o próprio processo de gestão escolar e clima organizacional, bem como a abordagem dos profissionais (professores e funcionários) para uma melhoria geral das relações humanas nos diferentes contextos escolares.
Como se argumenta que: pensar em todas essas questões é muito difícil, que é utopia (lembramos que para Paulo Freire utopia é denunciar problemas e anunciar possibilidades), devemos aceitar que a única alternativa é pensar o Bullyng? Parece que fica mais fácil pensar que a situação se resume ou termina na "criança que humilha outra criança", e quando conseguirmos detectar isso os problemas das vioências escolares terminam. Outra questão importante é: até que ponto nos colocarmos como adultos que também promovem violências e, ainda mais: as crianças estão tão violentas do nada? E os espelhos dos adultos? De nós adultos???
São muitas questões, todas merecem ser discutidas. Não podemos ficar somente com uma parte delas.
Este email é para lançar alguns olhares que devem ser aprofundados.
Atenciosamente
Prof. Nei Alberto Salles Filho
Núcleo de Educação para a Paz/Universidade Estadual de Ponta Grossa.
www.uepg.br/nep
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