A IMPORTÂNCIA DO LAZER PARA A QUALIDADE DE VIDA DOS EDUCADORES

Vivemos em uma sociedade de consumismo e que gradativamente tem se voltado para a supervalorização do ser que tem, e não do ser que é, passando a valorizar o supérfluo, o desejo de possuir, de consumir aquilo que muitas vezes, no contexto em que se vive, torna-se inviável. Nesse pensamento, cresce o número de pessoas que, além de suas necessidades normais, vivem um cotidiano de desgaste físico e emocional, trabalhando arduamente dois, três expedientes, e com isto passando mais tempo distante de seus entes queridos, impossibilitando com isto, o distanciamento de vínculos afetivos construídos no vivencial diário por intermédio da conscientização da importância de tempo destinado ao lazer, a descontração, a brincadeira, deixando de priorizar o desfrute da alegria, compartilhados no convívio com o outro, tão próximo e ao mesmo tempo, tão esquecido e distante, por causa da ausência ocasionada pelos compromissos do dia a dia. No atual contexto educacional, isso não é diferente, percebe-se que é comum ouvir em palestras, no dia a dia da escola, em debates, ou mesmo em rodas de bate papo entre professores, o desabafo constante de que sentem-se “angustiados”, “têm muita prova para elaborar”, “prova para corrigir”, “planejamento a desenvolver”, “livro a trabalhar, “carga horária a cumprir”, em fim, grande é a sobrecarga de deveres e afazeres a assumir e a executar. Tudo isso, sem contar com as noites mal dormidas e os finais de semana comprometidos pelo tempo destinado as atividades do trabalho.

Ainda nesta análise, constata-se que muitos problemas de saúde física e mental têm sido acarretados devido à sobrecarga de trabalho, falta de tempo livre desprendido para o lazer e o bem estar. Estudiosos têm feito pesquisas e têm descoberto que lazer, esporte, saúde e integração social são ações que se complementam. Os benefícios do lazer são percebidos pela constatação da melhoria da saúde, diminuição do estresse, do absenteísmo, dos acidentes no trabalho, pois pode proporcionar mais disposição e integração entre os trabalhadores, além do resgate de valores e enriquecimento cultural. No local de trabalho, esses benefícios geram produtividade, gerando trabalhadores mais saudáveis, mais felizes, participativos, cooperativos e com capacidade de respeitar as diversidades, habilidades cada vez mais valorizadas pelas organizações modernas.

MOREIRA (1985), afirma ser a função do “desenvolvimento da personalidade” a que deverá ocupar um papel preponderante na utilização do lazer, revertendo as funções de descanso e divertimento ao seu papel educativo-consciente onde espera, dessa forma, que o lazer possa se transformar em aprendizagem voluntária e prática de uma conduta criadora, em se tratando de execução de atividade física.

O aspecto do aperfeiçoamento pessoal, além de representar uma simples distração ou uma forma de compensar o sedentarismo, pode oportunizar mudanças significativas, pois cidadania se constrói com educação, alimentação, saúde, moradia, trabalho, direitos e deveres, visto que o bem estar de uma pessoa envolve, é claro, todos esses itens. Mas o lazer também é fundamental para que os trabalhadores tanto da área educacional como de outros segmentos, possam recuperar as energias desprendidas no cotidiano profissional. Aprender a encontrar esse momento é uma conquista diária que precisa ser refletida pelos educadores, onde possam compreender e acreditar na importância do lazer, principalmente, entendendo como proceder durante tal atividade que se constitui como objetivo para o exercício de uma vida mais saudável, equilibrada e feliz, tornando esse profissional mais compenetrado, eficiente e realizado. HABERMAS (1982), vê três formas de comportamento no tempo livre, estando estas relacionadas com o trabalho, a primeira é a REGENERATIVA, onde neste processo o tempo livre serve para recuperar as forças depois de uma jornada fisicamente cansativa; a segunda é a SUSPENSIVA, que se executa durante o tempo livre um trabalho sem a determinação exógena e sem a desproporção da exigência do trabalho profissional; a terceira é a COMPENSATIVA, que tende à compensação psíquica das seqüelas nervosas do trabalho. Portanto, considerando a valiosa contribuição destas idéias, intenciona-se com isto, apresentar ao educador a proposta de descobrir o lazer dentro das atividades simples do seu dia a dia para atenuar o trabalhado estressante, a rotina diária e a falta de tempo, fazendo com que tenham momentos de descontração, relaxamento e reposição de energia, os quais são importantes para uma vida mais saudável, feliz, gerando o desenvolvimento pessoal e profissional.

Gersonita Paulino de Sousa Cruz Aluna Especial da Base de Pesquisa da Corporeidade da UFRN Professores Kátia Brandão e Edmilson Pires