Inauguro o meu blog com a notícia da morte do antropólogo e filósofo francês Claude Lévi-Strauss, nesta terça (03.11.09), aos 100 anos de idade. Lévi-Strauss lecionou na Universidade de São Paulo nos anos 30. Aqui realizou seus primeiros estudos de etnologia entre populações indígenas, trabalho que desenvolveu ao longo de sua vida e que o transformou num clássico obrigatório das ciências humanas.

Abaixo deixo o link para a exibição do áudio do jornal O Estado de S.Paulo sobre o centenário de Lévi-Strauss.

http://www.estadao.com.br/especiais/100-anos-de-levi-strauss,38179.htm

Para Edgard de Assis Carvalho, da PUC-SP, em A paixão pelo entendimento: Claude Lévi-Strauss e a universalidade da cultura, conclui:

No conjunto da obra, Lévi-Strauss sempre questionou a fronteira entre a natureza e a cultura. Ao deixar de lado harmonias funcionais, neo-evolucionismos hierárquicos, pós-modernismos relativistas e racismos identitários, investiu na religação das esferas natural, social e cósmica, no confronto metódico do conteúdo e do contexto, do cromatismo e do diatônico. A natureza e a cultura, a animalidade e a humanidade, afirma, tornam-se mutuamente permeáveis. "Passa-se livremente e sem obstáculos de um reino ao outro: em vez de existir um abismo entre os dois, misturam-se a ponto de cada termocorrelativo no outro reino, próprio para exprimi-lo assim como ele por sua vez o exprime" (LÉVI-STRAUSS, 1964, p.316).