"Sem homens e mulheres, o verde não tem cor" (PAULO FREIRE).
Ao contrário dos que enxergam na atual crise ambiental uma oportunidade de fazer negócios “verdes”, penso que a crise é, primeiramente, mais ampla e engloba outras dimensões (cores) de nossas vidas como a econômica, energética, social e cultural. Nesse sentido as ações que pretendem enfrentar tal situação não podem se limitar a criar instrumentos econômicos que na maioria das vezes acabam por favorecer os mesmos agentes que estruturaram a gênese dessas crises (cinza pintado de verde).
Num segundo momento penso que se há uma oportunidade diante dessa crise é a de radicalizarmos nossas utopias e fazeres na reconstrução de sociabilidades solidárias (multicoloridas), apontando para superação das relações sociais injustas ambientalmente, perversas economicamente e intolerantes culturalmente.
A crise, hoje focada na sua dimensão ambiental, tem capacidade de nos mostrar as conseqüências das relações sociais hegemônicas e predatórias para o substrato de toda e qualquer vida desse planeta, com a intensidade para afujentar não só comunidades de homens e mulheres, mas também de animais e plantas e varrer as condições de vida de todo o lugar que se apresentar como consumível.
Para os refugiados ambientais, os mais de 1 bilhão de subnutridos pelo mundo, as mulheres subjugadas, os da periferia dos paises periféricos, camponeses, trabalhadores e todo aqueles que tem sua vida marcada pela resistência ao mundo como ele vem se apresentando, deve-se acreditar na própria energia que os ajuda a resistir, ampliando cada vez mais as bases do outro mundo que é possível, multicolorido e não apenas verde. O pensamento emancipátorio, a economia solidária, a democracia mais intensa, a força da diversidade cultural, a luta ecológica, as questões de gênero, direitos trabalhistas, a autonomia dos povos originários entre outros são os campos onde resistimos e apostamos na construção de em um ser que seja verdadeiramente humano, de cores intensas e vivas.
Mario Mariano , educador, biólogo e daltônico!









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