Mais de 50% da população mundial vive hoje em cidades, percentual que deve subir para 75% até 2050. Muitos desses centros urbanos são mega cidades com mais de 10 milhões de habitantes.

Com a urbanização, crescem também os desafios ao desenvolvimento sustentável, como as mudanças climáticas, o trânsito, a contaminação de cursos de água e a produção de resíduos sólidos. Apenas como exemplo: aproximadamente 75% dos resíduos gerados no planeta estão nos centros urbanos.

No blog Cidades Sustentáveis + Cidades Inteligentes,  o arquiteto e professor Carlos Leite fala de como a gestão inteligente, inovadora e criativa pode contribuir com a sustentabilidade das cidades contemporâneas. Há uma boa lista de indicações de sites, vídeos e leituras, divulgação de eventos e um blog com reflexões bastante ricas sobre o tema. Num dos posts mais recentes, o autor propõe uma agenda possível para promover as cidades sustentáveis, levando em conta os seguintes parâmetros:

- A cidade é “a” pauta atual: o século XIX foi dos impérios, o século XX das nações, o século XXI é das cidades.
- As megacidades são o futuro do planeta urbano. Devem ser vistas como oportunidades e não problema.
- O desenvolvimento sustentável se apresenta mais urgentemente onde mora o problema: as cidades darão as respostas para um futuro “verde”, nelas se consomem os maiores recursos do planeta, nelas se geram os maiores resíduos.
- As cidades se reinventam. Afinal, elas não são fossilizadas: as melhores cidades, aquelas que continuamente sabem se renovar, funcionam similarmente a um organismo, quando adoecem, se curam, mudam. Refazê-la ao invés de expandi-la. Compactá-la. Deixá-la mais sustentável é transformá-la numa rede estratégica de núcleos policêntricos compactos e densos, otimizando infraestruturas e liberando territórios verdes.
- Sustentabilidade desmistificada. Desenvolver com sustentabilidade pressupõe crença no progresso humano. Significa não cair na armadilha psicanalítica do imobilismo ou regresso bucólico-saudosista propiciados pelos discursos catastrofistas-deterministas ou “eco-chatos”. Ou seja: acreditamos na evolução do conhecimento, das técnicas e das tecnologias humanas. Uma postura estrategicamente proativa impõe a adoção de medidas e parâmetros “verdes” em praticamente tudo que fazemos atualmente, mas impõe, sobretudo, a busca e adoção das técnicas e tecnologias avançadas na racionalização da gestão dos projetos e da operação das cidades. Como exemplo: medidas mitigadoras que visam uma melhor “pegada” ecológica urbana, como o menor consumo de energia, adoção de matriz de energias renováveis, reciclagem de lixo urbano, aumento do gradiente verde das cidades e reuso de águas devem ser buscadas sempre. Porem, é mais estratégico que tudo isso se faça na cidade de núcleos policêntricos compactos. O resultado ambiental efetivo é amplamente maior se adotada a reinvenção urbana real. A cidade compacta fará a diferença real no uso mais racional e sustentável dos recursos.
- Exclusão. Não há ilusão. As imagens aéreas, o “olhar de sobreolhar”, são reveladores: as cidades desenvolvidas são as cidades sustentáveis, inclusive socialmente. Mais verdes e mais includentes. São, normalmente, as mais antigas, pertencentes aos países desenvolvidos, “de primeiro mundo”. Ali os maiores dramas já foram resolvidos e há, agora, oportunidade e recursos para a implementação de melhorias que as megacidades emergentes (São Paulo, Xangai) ou de países subdesenvolvidos (Lagos, Dakar) estão muito longe de poder buscar. É muito mais urgente São Paulo, por exemplo, cuidar de direcionar esforços e recursos para regenerar territórios centrais e dotá-los de amplas quantidades de habitação coletiva, construídos rapidamente através de sistemas industrializados, do que preocupar-se com a arborização ou mobiliário urbano de bairros ricos. Não há cidade sustentável sem a desejável sociodiversidade territorial.

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