Entendo o Município que Educa como um lugar onde a vontade de ensinar e aprender está em todos os que vivem lá. Lembro de ter sentido um pouco desse clima numa visita a Guaraí, pequena cidade no Tocantins. Graças a um projeto de uma escola pública, a comunidade estava toda mobilizada para a Educação. Havia grupos de senhoras ensinando a costurar na praça, adolescentes ensinando a fazer bonecas com palha de babaçu, oficinas de poesia, moradores antigos ensinando parlendas para as crianças... E aos poucos um novo mapa da cidade era criado no computador por estudantes de informática. Isso já faz uns 7 anos! Fico imaginando como estará Guaraí hoje... Se alguém daí estiver me lendo, me conte por favor!
Pri,
também imagino um município que educa semelhante ao visto por você em Guaraí. E fico imaginando quantos desafios todos nós possuimos para desenvolvê-lo: sairmos do individualismo, nos articularmos com o poder público, envolvermos a iniciativa privada, os movimentos sociais.... Penso que o município que educa é aquele que consegue tecer uma costura entre os diversos atores para que suas ações sejam realizadas, mas tendo o viés educativo. É algo complexo, penso, mas estritamente necessário.
Basicamente o Município que Educa procura articular todas as ações do município em torno de sua dimensão pedagógica. Essa é uma reivindicação de muitos municípios, que buscaram em outras redes, como a Rede de Cidades Educadoras, inspiração para a arquitetura de sua gestão. Agora, esses municípios, graças a uma iniciativa do Instituto Paulo Freire, através dessa rede social, têm a oportunidade de encontrar um instrumento que facilita a troca de experiências entre os municípios e a busca de melhor entendimento de um conceito que está ligado também à crescente mobilização em torno da Educação Integral em todo Brasil.
Dois exemplos de atividades práticas (indicativas) relacionadas ao Programa Município que Educa
Companheiras/os.
Tenho sido perguntado sobre quais seriam as ações concretas do Programa Município que Educa. A partir de hoje, passo a responder, neste fórum, algumas dessas questões, muito no sentido de socializar reflexões e com o desejo de que outras pessoas possam nos ajudar a buscar soluções possíveis para as muitas perguntas que temos nos feito e que nos chegam a cada dia...
Considero que este Programa abre um leque de diferentes possibilidades de ação no âmbito da municipalidade. Mas todas, potencializando processos educativos nas várias iniciativas locais, como afirmou, no comentário anterior, o professor Moacir Gadotti. Uma possibilidade seria a seguinte (para pensarmos e dialogarmos)...
1. Uma determinada secretaria de governo, ao implementar um projeto de atendimento às demandas da população, deverá, ao mesmo tempo em que busca atender as demandas públicas, torna este processo educativo ao potencializar a formação aos vários sujeitos que participam do mesmo. Isso, organizando encontros de reflexão e fundamentação da prática, sobre o que estão fazendo. Deste processo formativo devem participar funcionários públicos que prestam os serviços à população; representantes da população que acompanha o todo do processo de solução de eterminado problema, bem como pessoas representativas de outros segmentos, setores e instituições da sociedade que, direta ou indiretamente, acompanham e participam do referido projeto, dele se beneficiam, com ele aprendem etc. Este mesmo processo educativo, aos poucos, poderá revelar as diferentes e necessárias interações setorias e/ou secretariais para o êxito daquela iniciativa. E, aos poucos, o próprio processo de formação vai desvelando outras possíveis conexões, necessidades e, num movimento ampliado, pode ser ampliado na direção de uma ação mais intersetoria/intersecretarial...de curto, médio e longo prazos.
2. Uma determinada iniciativa da comunidade local, visando à melhoria da mobilidade das pessoas, principalmente de crianças e idosos, considerando que as calçadas estão impróprias cheias de degraus, buracos etc. Um esforço coletivo poderá ser a organização de diferentes associações comunitárias para pensar alternativas para o problema. As discussões muito provavelmente poderão indicar a necessidade de providências também por parte do poder público, articulando diferentes secretarias de governo (obras, saúde, educação, esporte, meio ambiente, comuicação, cultura, trabalho, transito, administração, finanças, todas elas ou algumas delas...) além de setores da iniciativa privada que poderão contribuir nas várias etapas da solução do problema. As reuniões para a organização de um plano de ação serão, elas mesmas, pedagógicas. Até porque se aprende a participar, participando. Além disso, poderão ser propostas ações locais sistemáticas e continuadas, combinando: a) mapeamento mais aprofundado do problema; b) pessoas, instituições e organizações interessadas/ envolvidas, incluindo poder público; c) análise do plano diretor, do PPA do municipio etc, para verificar se o atendimento da respectiva demanda já está prevista no plano de metas e ações do município; d) verificar o que já existe de concreto para a solução daquele (tipo de) problema, nas diferentes instâncias da gestão pública local ou das diferentes articulações das instituições da sociedade civil; e) definição de uma agenda de trabalho para a definição de um plano de ação com a participação desses vários segmentos; f) definição de objetivos e metas relacionados a recursos previstos (existentes e a serem captados)...g) estabelecimento de indicadores de processo e resultado para o alcance dos objetivos e metas, dentro de prazos e condições exequíveis... e, evidentemente, um calendário de mobilização popular, de visibilidade das ações públicas, de execução, acompanhamento e avaliação do que estiver sendo feito. Apesar da aparente complexidade, todo este movimento pode começar, por exemplo, com um grande encontro público em determinada localidade do município para uma ação concreta de mutirão, procurando solucionar determinado problema.
Até amanhã a todos e a todas. Conto com a contribuição de vocês com novas perguntas e novas respostas... como nos ensina Paulo Freire: "não basta denunciar. É preciso também anunciar".
Padilha
Tenho acompanhado nos últimos anos, os companheiros do IPF, a luta e vontade de levar a educação, sempre entendidas no seu contexto mais amplo inspirado nos princípios de justiça social, amigos mais uma vez contem comigo, porque pessoas como vcs que nos inspira, por um pais cada dia melhor.
Município que Educa, vamos láaaaa...
Não é saudosismo. Mas, quando li esses comentários me remeti aos famosos e esquecidos Clubes de Mães, onde as mulheres se reunião e trocavam experiências. Cada uma colaborava com suas habilidades essenciais, ampliava o círculo de amigos e, se confraternizavam.
Bom dia. No dia 28 participei do evento Minicípio que Educa e perguntei como poderia comprovar meu comparecimento ao evento para usar como atividade complementar na faculdade. No dia do evento fui informada que pedisse via e-mail.É possível esse certificado? Obrigada.
Simone,
Não planejamentos emitir certificado de participação para o evento do dia 28, por não se tratar de uma palestra e sim do lançamento do Programa. Mas por favor envie uma solicitação por email para contato@municipioqueeduca.org, assim posso passar para a coordenação e ver se podemos preparar o documento que você precisa.
Priscila
Esse é um espaço de reflexão e de socialização de estudos e práticas de política e gestão democrática da educação. O Município que Educa apresenta uma dimensão dos direitos humanos e da formação cidadã. Através de pesquisas e observações feitas, acredito que posso está colaborando para melhoria e realização de ações efetivas na educação do espaço atuante. O melhor é ser motivada com os relatos e ações das pessoas que acreditam na mudança social e educacional do sistema brasileiro.
É isso aí, Vivianne! Simples assim: o Município que Educa promove os direitos humanos e forma para a cidadania em todos os espaços e momentos presentes no município.
Um abraço,
Priscila
Orçamento Participativo - uma voz na construção da cidadania do município
Um bem-haja a toda a equipa pelo Projecto aqui apresentado! É com enorme satisfação que me deparo com este espaço de partilha, de reflexão crítica e sistemática em torno de questões tão essenciais nos tempos que correm, como são, a cidadania activa pela participação consciente e construtiva do tempo e espaço que nos rodeia.
Estou a iniciar uma caminhada académica em Portugal, mais concretamente, na realização do meu doutorado em educação. Muito embora esteja a colocar as primeiras pedras deste edifício, o problema de investigação já se encontra definido: um olhar crítico para a construção das cidades educadoras (educativas) por intermédio do desenvolvimento de orçamentos participativos. Abraçando a obra do Professor Paulo Freire, impus-me olhar o município (a cidade) como espaço capaz de educar para a liberdade numa conscientização de princípios tão relevantes à condição humana como a autonomia e a democracia.
Embora esteja numa fase claramente embrionária, encontrei neste vosso (nosso, permitam-me a apropriação) espaço, um ponto de encontro, sossegado, óptimo para partilhar os trilhos deste meu percurso.
Obrigado, uma vez mais, pela excelente iniciativa!
Abraço,
Nuno
Ola amigos e amigas. Aqui em Osasco temos muitas experiências que teem dado certo na area da Educação, são projetos como o sementes de Primavera (Cidadania desde a infância), Programa Escola Cidadã e os conselhos de gestão compartilhada. É claro que ainda falta muito, más nós estamos caminhando, e acredito eu no rumo certo, com mais investimentos, força de vontade e união chegaremos lá... Termino este comentário, Parabenizando toda a Equipe do IPF, e toda a Equipe do nosso curso (Municipio que Educa), e a todos os participantes. Um grande abraço a todos e a todas.
Oi Manu,
Por que você não publica algo sobre uma dessas experiências de Osasco no banco de experiências aqui da rede. É só clicar em "COnheça e Publique" no menu da esquerda. Você pode escrever um relato pessoal sobre a experiência, postar algum material que foi produzido, fotos que você tirou, ou ainda linkar alguma página que traga mais informação sobre essa experiência.
Esta rede é alimentada por todos nós, e é a partir das nossas experiências que ela ficará mais rica!
Um grande abraço,
Priscila
É isso aí Manu. Osasco tem sido exemplar no enfrentamento de suas demandas educacionais e procura, a todo momento, inovar e trabalhar por uma escola cidadã que crie "exemplaridades" para as demais áreas da cidade. E observamos pessoas como você, que "botam a mão na massa", que trabalham firme e duro para a concretização de sonhos que tenham por referência a interatividade, a intersetorialidade, a ação conjunta que economiza recursos e viabiliza mudanças mais rápidas e dinâmicas no município. Será muito bom continuar a ver por aqui as suas novidades e iniciativas por um município que educa em osasco. Estamos no caminho certo, penso eu.
Quero convidar cada pessoa que entra nesta rede, que acessa os textos aqui disponíveis e que, enfim, chega a entrar e a compartilhar conosco este espaço, sinta-se convidada a deixar aqui a sua mensagem, o seu comentário, por mais breve que seja. Estamos aqui para sermos felizes, para construirmos um mundo melhor, um município que educa. Por isso, quanto mais pessoas puderem se expressar neste mundo, neste município, neste espaço... melhor! Isso porque por mais singelas que possamos considerar a nossa palavra ou a nossa passagem por aqui, de repente ela pode nos trazer um momento de reflexão, de aprendizagem, de integração, de vida. Pensemos nisso. Saiamos do silêncio, do simples "espiar", como acontece no "Big Brother", e sejamos sujeitos ativos na história que, juntos, ajudamos a escrever. O Município que Educa quer ajudar a todos/as nesse processo emancipatório e cidadão. Padilha
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Vontade de educar!
Costura educativa
Articulação em torno da dimensão pedagógica
Dois exemplos de atividades práticas (indicativas) relacionadas ao Programa Município que Educa
Município que Educa, a hora é agora!
Município que Educa, vamos láaaaa...
A ação esquecida
Certificado
Para Simone
Não planejamentos emitir certificado de participação para o evento do dia 28, por não se tratar de uma palestra e sim do lançamento do Programa. Mas por favor envie uma solicitação por email para contato@municipioqueeduca.org, assim posso passar para a coordenação e ver se podemos preparar o documento que você precisa.
Priscila
Atuação e dedicação na prática
Educar para a cidadania
Um abraço,
Priscila
Orçamento Participativo - uma voz na construção da cidadania do município
Estou a iniciar uma caminhada académica em Portugal, mais concretamente, na realização do meu doutorado em educação. Muito embora esteja a colocar as primeiras pedras deste edifício, o problema de investigação já se encontra definido: um olhar crítico para a construção das cidades educadoras (educativas) por intermédio do desenvolvimento de orçamentos participativos. Abraçando a obra do Professor Paulo Freire, impus-me olhar o município (a cidade) como espaço capaz de educar para a liberdade numa conscientização de princípios tão relevantes à condição humana como a autonomia e a democracia.
Embora esteja numa fase claramente embrionária, encontrei neste vosso (nosso, permitam-me a apropriação) espaço, um ponto de encontro, sossegado, óptimo para partilhar os trilhos deste meu percurso.
Obrigado, uma vez mais, pela excelente iniciativa!
Abraço,
Nuno
Bem-vindo!
Experiências que dão certo!!!
Banco de experiências
Esta rede é alimentada por todos nós, e é a partir das nossas experiências que ela ficará mais rica! Um grande abraço, Priscila
osasco município que educa
MUITAS VISUALIZAÇÕES... POUCOS COMENTÁRIOS
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