Feira Música Brasil 2010

Painel discutiu caminhos, alternativas e tendências do mercado para músicos e produtores

O painel Música Digital e Novos Mercados, realizado nesta quinta-feira (10), na Funarte, em Belo Horizonte, como parte da programação da terceira Feira Música Brasil 2010, discutiu os caminhos, as alternativas e tendências do mercado para músicos e produtores. Entre os debatedores estavam o consultor americano Kent Brewster, que já produziu  aplicativos para a Yahoo e hoje desenvolve publicidade on-line para pequenos empreendedores, e Maurício Bussab, físico, produtor,  músico e sócio da Tratore, maior distribuidora de música independente no Brasil.

A preocupação com o posicionamento junto a esse novo mercado surge com força depois da perda da hegemonia da indústria fonográfica frente à internet e a popularização do computador e os programas de tratamento de áudio e edição de músicas. “Os dias das gravadoras passaram, o CD acabou. Não é mais a ferramenta principal para acesso à música, não é mais a porta de entrada para se conhecer um artista”, afirma Maurício Bussab.

A discussão, agora, para distribuidores, produtores e músicos é como ocupar o espaço que se abre para a música digital. E a tendência do mercado, para o sócio da Tratore, é de crescimento. “A gente tem visto o aumento do consumidor de música digital porque os lugares onde se pode pegar a música legalmente estão mais fáceis de se trabalhar, mais simples de se usar, com maior conteúdo, e as pessoas têm optado cada vez mais por usar esses lugares oficiais de buscar música”, afirma.

Mídias sociais

Bussab também ressalta o papel das mídias sociais, que, ao contrário das antigas formas de promoção do artista, permitem que o músico chegue a um grande público sem precisar do aval das gravadoras. “Antes, para conseguir espaço em uma rádio, era muito complicado, hoje, se você tem cem amigos no Orkut ajudando a promover o seu trabalho, é uma grande ferramenta, se souber usar”, diz.

A jornalista e especialista em marketing digital, Marcia Elena, moderadora do debate, cita a importância de o músico utilizar as mídias sociais, como o Facebook, e alerta para a necessidade de o artista estar presente em todos os “canais de divulgação e de venda digitais, tanto pelo celular como pela internet”. Embora ache difícil falar de tendência em um setor tão dinâmico, ela acredita que o mercado, do ponto de vista do consumidor, caminha para o modelo de assinaturas. “Você pára de ter posse do conteúdo e passa a ter acesso ao conteúdo, independente da forma de acesso, se celular, internet, TV. Ano que vem, estarão chegando as TVs inteligentes, ou seja, você paga uma vez só para o acesso”, explica.

Ela ainda sugere que artistas independentes procurem  entender como funciona a distribuição. “O distribuidor não tem que fazer todo o trabalho. Nunca houve ferramentas tão democráticas. Antigamente, o funil era uma gravadora, hoje você trabalha o seu produto em redes sociais”, salienta Elena. Kent Brewster, falando aos músicos e produtores da plateia, citou como exemplo negativo sites e portais de navegação complicada, e lembrou a importância de usarem diversidade de plataformas, de maneira simples, direta e objetiva.

O músico e produtor independente de Brasília, Cacai Nunes, especialista em viola caipira, vê um caminho que não passa necessariamente pelas distribuidoras de conteúdo e acredita que o músico pode ganhar se liberar sua música gratuitamente pela internet. “O download não gera renda, o que vai te dar renda é você distribuir gratuitamente sua música e vender seu show. Já vendi show só por vídeo. O pessoal procurou por viola caipira, me viu tocando, e fechou um show com nove meses de antecedência. Saí de Brasília para tocar em Chapecó (SC), para um público que nunca me viu pessoalmente”, diz.

Ele ressalta que “não tem muita expectativa” com distribuidoras ou selos de grandes empresas. “O meu trabalho não tem a penetração que eles esperam. A gente tem que se apoderar de todas as ferramentas que há disponíveis e criar mecanismos de comunicação versáteis – eu utilizo o Facebook umas três horas por dia – e descobrir o que há de novo. Por exemplo, tem uma ferramenta nova para você colocar sua música, o soundcloud, em que você carrega através de um link e coloca no Facebook”, explica.

Cacai vê na FMB uma forma para os músicos independentes conhecerem “diretamente, produtores, músicos e articuladores do mercado musical de vários lugares diferentes”. E faz um convite. “Quem não veio na feira de 2010, que vá na de 2011!”

(Texto: Marcelo Leal, Comunicação Social/MinC)
(Fotos: Carolina Stella)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.cultura.gov.br/site/2010/12/11/feira-musica-brasil-2010/