Companheiros/as que visitam o meu blog
Reproduzo, abaixo, texto que acabei de publicar no Fórum do nosso curso Município que Educa, iniciado há duas semanas. Espero que possam acompanhar este e outros textos que publicarei sobre este curso, neste blog, como forma de ampliar e socializar reflexões que estão nascendo desta experiência.
Companheiros/as participantes do curso Município que Educa (IPF)
Escrevo aqui algumas reflexões a partir das participações de Nilton, Meyri, Liliane, Paulo, Priscila e Janeide.
Fiquei muito satisfeito com as problematizações de Nilton e percebi, aos poucos, que o próprio grupo foi se manifestando e dando indicações de sua reflexão permanente.
Eu diria que já estamos no movimento de construção do municipio que educa quando participamos deste processo, pesquisamos mais a nossa realidade e, principalmente, quando nos damos conta de que já conhecíamos um pouco a cidade em que vivemos, mas que muito temos a conhecer e a contribuir, principalmente, para além dos nossos atuais conhecimentos, que não são pequenos, sobretudo, em relação às nossas áreas de atuação profissional, por exemplo.
Um dos maiores problemas de um país como o nosso, resultado de uma colonização exploratória, de mais de 400 anos de escravidão, dos históricos processos de paternalismo, de coronelismo e de corrupção... um dos mais evidentes problemas que encontramos pela frente é o da participação, em quase todos os lugares. Por isso é que aprendemos e sempre repetimos: participação se aprende e “participação é conquista”. Portanto, estamos nesse processo, aprendendo sempre, conquistanto-a pouco a pouco, nas nossas pequenas (e grandiosas) ações cotidianas.
Para que a participação seja exitosa precisamos nos sensibilizar para a mesma. Mobilizar pessoas e instituições, para além dos paradigmas clássicos do planejamento... Mexer com a afetividade, com as múltiplas dimensões da nossa humanidade. Daí a importância de trabalhos, por exemplo, de grupos como o coordenado por Kátia Brandão – Pedagogia Humanescente... ou da Rede Românticos Conspiradores, que também conheci na Rede Social Município que Educa (que vamos todos conhecer esta rede na próxima semana?), bem como o trabalho que procuramos realizar no Instituto Paulo Freire que, para transformar a realidade, partimos das relações intrapessoais e interpessoais, reconhecendo-as em suas múltiplas semelhanças e diferentes diferenças, o que é também uma forma de "Leitura do Mundo". Já tenho escrito sobre isso em meu blog:www.redesocial.unifreire.org/paulorobertopadilha (vejam, por exemplo, meu texto intitulado "Por uma Pedagogia Intertranscultural". Lembro que este é um ensaio acadêmico que escrevi para uma de minhas palestras. Ficarei super feliz se dialogarmos também lá.
A participação democrática, conforme entendemos, dá-se por diferentes vias, mas sempre mediados por processos educativos e formativos. E, no Município que Educa, não se tem uma “receita” ou uma pré-definição, como fazem, por exemplo, diferentes consórcios, movimentos ou associações municipalistas, que apenas trabalham a participação, ou os processos democráticos, participativos ou formativos, a partir ou do Estado, ou da sociedade civil, ou de algum governo em particular, ou restrito a algum público específico - por exemplo, lideranças político-partidárias, candidatos a cargos eletivos etc. Não que isso não seja pertinente. Apenas não é a nossa escolha.
Na perspectiva do Município que Educa, a base da sociedade deve se manifestar e contribuir na mobilização social para a participação, mas sempre que possível, conectada às iniciativas do Estado, que também é prescindível nesse processo. Aliás, representantes do próprio Estado podem, também, tomar a iniciativa, como acontece na experiência da Cidade Educadora, por exemplo, e daí, construir as articulações necessárias para que as comunidades participem. Mas, como acreditamos na força dos processos participativos construídos na base da sociedade, até para motivar, pressionar e fiscalizar o próprio Estado, defendemos esta necessária conexão entre Sociedade Civil e Estado, sem hierarquias, sem submissões, sem cooptações. Mas, evidentemente, respeitando os contextos, as experiências prévias e os conflitos surgidos dos diálogos críticos, muita vezes contraditórios e paradoxais.
Paulo Freire nos ensinou a evitar todo e qualquer tipo de sectarismos: de direita ou de esquerda, o que não significa trairmos, jamais, os nossos princípios e a busca de um mundo mais justo e mais feliz para todas as pessoas, contestando frontalmente a “malvadez neoliberal”, como ele costumava dizer, em mais um neologismo que ele gostava de citar.
É isso: quanto mais conseguirmos qualificar a participação social nos processos de transformação social e de emancipação humana – como estamos tentando fazer, também, na perspectiva do Município que Educa, mais precisaremos criar aproximações e sinergias na mobilização dos nossos saberes e conhecimentos das emoções, artes, ciências, técnicas, políticas e espiritualidades, de forma crítica, jamais preconceituosas, aprendendo a trabalhar com base no olhar e nas contribuições de outras pessoas, como estamos tentando fazer neste grupo.
Até logo mais no nosso chat das 18h. E meus sinceros parabéns pela ativa participação de todos/as: isso é que é um bom exemplo de participação!
Padilha
obs. Escrevam-me com suas contribuições a este texto.... para que possamos melhorar e ampliar estas reflexões, contribuindo, assim, para a melhor compreensão/ fundamentação do próprio Programa Município que Educa.











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