Programa Educação para a Cidadania Planetária

10º Encontro do PECP – ET2 e ET1

16/04/2010 das 18h30 às 21h45

EMEF Manoel Barbosa

 

Acolhimento:

Foi realizado um jogo cooperativo cujo desafio era passar de uma fila para a outra sob um jornal sem amassá-lo, rasgá-lo e sem arrastar o pé. O exercício nos fez olhar para o/a outro e aprender a trabalhar em colaboração. Em seguida foram apresentados alguns slides de fotos e texto que revelam a necessidade de uma mudança individual para mudar o mundo.

 

Reflexões sobre a Leitura de Mundo a partir de um exercício prático.

Objetivo do primeiro momento da reflexão: conhecer a visão do grupo sobre o bairro e sobre a escola; identificar situações significativas do contexto e definir prioridades para ações de intervenção.

 

Cada participante recebeu uma folha de sulfite e foi solicitado a eles que dobrassem a folha ao meio. Numa parte da folha, todos/as foram convidados a escrever o que há de bom no bairro e, na outra, o que precisa melhorar. As folhas de papel foram colocadas no centro da sala e três pessoas voluntárias leram as considerações do grupo organizadas abaixo:

 

O QUE TEM DE BOM NO BAIRRO

O QUE PRECISA MELHORAR NO BAIRRO

Paz, harmonia e muita alegria. Ótimo porque nesse bairro vivemos em comunhão.

Tudo, porque o nosso bairro não tem respeito uns aos outros.

A relação entre a escola e comunidade

Violência. Questão da água (poluição). Moradia em locais inapropriados.

Comércio

Higiene. Falta de espaço para lazer. Saúde.

O uso da bicicleta

O sistema de água suja

Os parques, e os campos que são preservados

Pichamento nas paredes

Comércio; escola

Saneamento básico; saúde; moradia

Casa da cultura e cidadania

Saneamento

Escola bonitinha e alunos

Rua quebrada

As pessoas

Sistema de água

Receptividade das pessoas

Moradia

A vontade das pessoas em melhorar as condições

Moradias adequadas

Comunidade

Infra estrutura ligada a qualidade de vida

Escola

Saneamento básico

Luta por dias melhores

Desigualdade social

As pessoas

Qualidade de vida

Escola

Saneamento básico

Moradores

Saneamento; moradias; lazer

A “Frente das mulheres”

Saneamento básico

O respeito e a convivência

Não colocar fogo no lixo

Escola / educação

Saúde / esgoto

Escola

Lazer

O que eu acho legal é que tem gente para conversar. Jovens

Precisa arrumar a rua e saneamento básico

As pessoas

O acesso à saúde

Área verde; Comunidade escolar

Habitação; saúde pública; maior participação

Comunidade (pessoas); área verde

Infra estrutura; sem área de lazer; atendimento médico

A escola

Saneamento básico

Pessoas

Condições de moradia

 

Em seguida, foi proposto um exercício para que os participantes identificassem o que estava mais presente na preocupação do grupo e, portanto, deveria ser considerado prioridade para ações de intervenção. O grupo identificou como ações prioritárias: o saneamento básico, a moradia e a saúde.

O objetivo desse exercício inicial de Leitura do Mundo foi criar a oportunidade de o grupo perceber o que vêem de bom no bairro e o que, na percepção do grupo, precisa melhorar.

Após a identificação das situações significativas do bairro, na perspectiva do grupo presente, foram constituídos três grupos, por segmento representado (professores, comunidade e alunos) para refletir sobre a escola. Para isso, eles foram convidados a responder às seguintes perguntas:

  • De que forma a escola contribui para melhorar o ser humano?

  • E o bairro, de que forma ele contribui para melhorar o ser humano?

 

Grupo comunidade

A escola contribui com oportunidades para formar uma pessoa melhor, mas às vezes a própria escola afasta os familiares com mau tratamento dos funcionários da escola. A escola contribui para a formação do aluno, independente da atitude dos pais, mas é plantado uma semente no aluno e vai crescendo cada dia mais.

Inicialmente foi apontado que o bairro não contribui em nada, pois “há muitas drogas”; apenas a escola e a igreja contribuem pois “trabalham valores”. Após debate no grupo foram identificadas algumas iniciativas assistencialistas no bairro, como a distribuição de leite na associação do Morro do Socó e as doações de fraldas e cestas básicas do centro Promocional Cristo Rei – CPCR.

A associação mais próxima beneficia com o MOVA, que é educação para jovens e adultos, o município ajuda financeiramente para contas de água, luz e etc. No Baronesa a participação dos pais no CGC em Ação é muito grande, eles conseguem chamar a atenção dos pais com os assuntos tratados.

 

 

Grupo dos alunos

Na escola eu aprendo ler, escrever e respeitar os mais velhos.

A escola me ensina ser educado com as professoras. Ensina a não brigar no recreio.

Ensina a não jogar comida fora.

A escola estimula a estudar para fazer uma faculdade.

A escola ensina a acreditar na força do grupo. Ensina a ter um respeito melhor.

A escola ensina a ler e escrever para ter um futuro melhor e viver em comunhão.

 

Grupo dos professores

A escola contribui para melhorar a ser humano:

  • trabalhando valores, respeito, solidariedade entre outros

  • Projetos: PEPP, Escolinha do Futuro, + Educação

  • Reuniões de Colegiados CGC, APM

  • Festas e Eventos com a comunidade

  • Intervenções por meio de conversas ou conteúdo

  • Envolvendo os diferentes segmentos da escola e por meio de parcerias com as famílias

  • Todos da UE tem a possibilidade de ensinar e aprender uns com os outros independente de sua função.

 

Após a apresentação dos grupos, foi apresentada a música Vamos ler o mundo com imagens de luta para um mundo melhor, mais belo, justo e humano.

Em seguida, foram apresentados os slides que orientaram a exposição de Ângela Antunes sobre Leitura de Mundo. Segue abaixo parte do conteúdo apresentado que revela a concepção de Leitura de Mundo, seus princípios e procedimentos:

Não se transforma o que não se conhece, para transformar a realidade vivida é preciso conhecê-la.

(Obs.: Daí a relação com o exercício inicial feito com o grupo sobre o bairro e a escola. O objetivo foi vivenciar com o grupo este princípio. Se a Leitura do Mundo pretende conhecer as situações significativas do contexto e, a partir do conhecimento das mesmas, definir prioridades para ações de intervenção, pretendeu-se exercitar isso: a) o grupo, segundo sua compreensão e vivência, apontou como vê o bairro e o que precisa melhorar; b) em seguida, a partir do que o grupo apontou, coletivamente, foram identificadas as prioridades de intervenção. Foi um exercício prático para que o grupo pudesse perceber que é necessário primeiro conhecer para, depois, identificar as situações significativas e, em seguida, as prioridades para ações de intervenção).

 

- Educar é impregnar de sentido a vida - Paulo Freire

- Como constituímos sentido se a educação não conhece a vida daqueles com quem ela trabalha?

A educação para a cidadania planetária implica construir uma “identidade terrena” (todos precisamos nos reconhecer habitante da mesma morada, do mesmo planeta; compartilhamos a mesma casa e fazemos parte do planeta Terra, não estamos à parte dele)

- Conhecer o contexto mais próximo (local, bairro, cidade) sem desconectar do mais amplo e distante (estado, país, mundo, planeta) e também fazer a necessária interconexão entre a dimensão individual com a dimensão coletiva, da luta, da participação cidadã.

- Cidade tem que ser boa para todas mas isso só vai acontecer quando todos tomarem para si esse compromisso.

- O conhecimento tem uma função social; ele deve contribuir para nos compreendermos mais critica e profundamente e transformarmo-nos; o conhecimento deve contribuir para que o ser humano tenha condições de se elaborar como humano e para compreender o contexto em que vive. Compreendendo o seu estar sendo no mundo e compreendendo o mundo em que vive, o conhecimento contribui para a educação emancipadora.

- Ler o mundo para uma aproximação crítica da realidade - é preciso saber:

Como é o nosso bairro? O que vemos? Como vemos o bairro em que vivemos? Quem são as pessoas? Como vivem? Há muitos analfabetos no bairro? Há quantos desempregados? Há quantas pessoas que sofrem com enchentes? Quantos participam das plenárias do orçamento participativo? O que as pessoas estão fazendo para melhorar as condições? Como é a nossa escola?

 

Como fazer a Leitura do Mundo?

Observando/perguntando/entrevistando/conversando

Dimensão social, ambiental, cultural, política, econômica da realidade.

Como vemos o mundo em que vivemos? Quais são as utopias que nos movem?

Leitura das leituras – A Leitura do Mundo não é a leitura de um grupo sobre outro. É a leitura das leituras. É a busca da compreensão da realidade a partir de diferentes visões e perspectivas. É a visão da criança, adulto, idoso, etc e também a apreensão da dimensão social, ambiental, política, etc de cada contexto. A Leitura do Mundo também não é uma ação estanque. Ela é uma leitura processual, contínua. A saída a campo é um dos momentos.

Passo a passo:

  • conversar entre nós sobre o que vamos observar na saída a campo de acordo com o PECP

  • preparar a escola para a Leitura do Mundo

  • preparar o grupo

  • preparar cartazes, faixas

  • preparar crachá, prancheta

  • realizar saída de campo para Leitura do Mundo

  • sistematizar os dados

  • apresentar na escola os dados

 

Após a identificação de que há ainda muito trabalho de preparação da leitura de mundo no bairro, foi consenso de que será preciso adiar a saída a campo. A nova data acordada foi quarta-feira, dia 05 de maio de 2010 no período da manhã.

Jayne destacou sua dificuldade em participar de atividades no período da manhã pois ajuda sua mãe para levar os irmãos na escola. Foi acordado que haverá um diálogo com a família de Jayne para tentar reorganizar sua rotina nesse dia.

 

Leitura do Mundo EM PAULO FREIRE

(texto que Jayne e Taynara compartilharam com o grupo e seus colegas na escola)

Nós entendemos que o Paulo Freire, desde seus princípios escritos, foi re-levando uma maneira de educar cada ser vivo deste mundo.

O próprio autor e alguns estudiosos de sua obra, relevam a importância do conhecimento da Leitura do Mundo em sua teoria e em sua práxis.

Para Paulo Freire, o processo educativo de conhecer a maneira com mulheres e homens, educandas e educandos, interpretavam o mundo apenas da forma com ele, educador, interpretava-a.

Ele estava preocupado em criar um mundo melhor comprometido com a pedagogia para melhorar das condições das populações do mundo.

Das razões históricas explicava nossas inexperiência democrática, entre elas a colonização à base do grande domínio.

Era preciso, segundo Paulo Freire, construir um conhecimento autêntico (que participa da realidade brasileira, que desse respostas aos problemas vividos pelo povo)

 

Sugestões

  1. Bom eu achei que o texto me inflenciou (Jayne) muito porque ele nos ensina a Leitura do Mundo.

  2. Para começar eu (Taynara) estou gostando muito dessas aulas que me desenvolveu e, eu tenho certeza que vai me desenvolver cada vez mais... Sobre o texto nós compartilhamos muito e aprendemos também.

 

Aprendizagem do dia

Avaliação individual escrita

 

O que foi significativo?

  • O compartilhamento de experiências com Ângela.

  • Não foi significativo porque foi tudo muito claro.

  • A análise clara sobre o que é a Leitura do Mundo e sua importância para transformar a realidade.

  • A apresentação da LM que acrescentou muito.

  • Estar no grupo.

  • As discussões em grupo, bem como a apresentação realizada.

  • Como é meu segundo encontro percebi que estes encontros são muito importantes. Aprendi a Leitura do Mundo, aprender a ler o mundo tem sido muito importante pra mim.

  • A Leitura do Mundo, vista por todos os ângulos.

  • Identificar os passos da Leitura do Mundo e conhecer como os alunos estão difundindo os materiais e aprendizados do PECP junto a seus colegas.

  • A fala sobre a Leitura do Mundo.

  • As perguntas: a escola contribui para eu ser uma pessoa melhor? Para eu ser um ser humano mais feliz comigo mesmo? O bairro contribui para eu ser um ser humano melhor (convivência)?

  • A fala da Ângela (sobre Leitura do Mundo)

  • A Leitura do Mundo, pois nos ensina a viver em paz.

  • A dinâmica em grupo do jornal; saber que o imposto predial de Osasco é um dos mais caros do Brasil; Que Zé Roberto (jogador da seleção) já viajava para o exterior como jogador mirim.

  • Expressions that connect citizenship specific aspects. Expressões que conectam aspectos específicos da cidadania.1

  • Different approach/different pespective => aware of problem => action. Diferentes abordagens, diferentes perpectivas = consciência do problema = ação

 

Dúvidas?

  • Como pôr em prática a nossa ideia de cidadania sem cair no assistencialismo e promover o entendimento de que nosso trabalho está aquém e distante de questões políticas.

  • Não tive dúvidas, hoje para mim não existem dúvidas e foi muito legal.

  • Os slides serão disponibilizados na internet?

  • Knowledge” should offer the “social function.” The point is “knowledge” or “what kind of society we want”? Also it seems that everything oriented into one concept, Leitura do Mundo, it's clear but still un-clear of “what is world”? - Conhecimento possui uma função social. A questão central é conhecimento ou qual tipo de sociedade queremos? Também parece que tudo está orientado em relação ao conceito de Leitura do Mundo, mas ainda não está claro “o que é mundo”?

  • How school project work? How can we do to aware others in bairro to come join this project? Who are the delegates of the participative budget congress? Como o projeto da escola funciona? Como podemos conscientizar outros no bairro à participarem desse projeto? Quem são os delegados do Orçamento Participativo?

     

 

Sugestões:

  • Compartilhar os textos, vídeos e slides.

  • Que as palestrantes tragam o material impresso para acompanhamento e registro dos encontros.

1Duas participantes dos encontros do PECP em Osasco são parte de um projeto de intercâmbio com Taiwan e participam em inglês, com tradução simultânea.