RAZÕES PARA USO DE SOFTWARES LIVRES E INICIATIVAS PAUTADAS NESTE MOVIMENTO (Fonte: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-08112007-150130/publico/DissertacaoAndersonAlencar.pdf)

 

RAZÕES DE CUNHO FILOSÓFICO

a) Princípios que embasam o software livre - O software livre nasce como um retorno aos primórdios da informática onde os programas criados eram compartilhados com os demais. Os ideais de democratização dos saberes e do acesso, o compartilhamento dos bens culturais, de todo e qualquer saber/conhecimento produzido pelo ser humano, a criação de uma comunidade auto-sustentável tecnologicamente, a luta pela liberdade de uso, de distribuição, de alteração de qualquer programa produzido, todos essas e muitas outras são também bandeiras de diversos movimentos sociais, entidades, instituições, ONGs e de diversas empresas. Nesse sentido, o software livre é mais que uma alternativa viável para esses grupos.

b) Torna-nos partícipes de uma comunidade de solidariedade - Devido ao acesso ao código fonte, com a possibilidade de alterar, melhorar ou adaptar programas, são formadas verdadeiras comunidades em torno de determinados softwares, comunidades de colaboração e solidariedade. Poderíamos dizer que o software livre criou e gerou uma grande comunidade que abarca diversas pequenas comunidades, nichos colaborativos que são os diversos projetos de desenvolvimento. Temos, por exemplo, a micro-comunidade do software livre Mangos (www.mangosproject.org) que tem sido utilizado para "emular" o famoso jogo online de RPG (Role Playing Game), o World of Warcraft©1 da Blizzard©2. Ao redor desse programa existem desenvolvedores e usuários do mundo inteiro que ajudam a desenvolver, aperfeiçoar, apontar problemas ou erros (bugs), propor as correções, traduzir materiais, criar uma documentação apropriada, desenvolver páginas web, entre outras coisas.

c) Uma comunidade autosustentável - Diferente do que acontece no mundo do software proprietário em que os investimentos, valores pagos com licenças ou royalties servem para gerar mais e mais lucros para as empresas, no mundo do software livre, havendo ou não pagamento de valores, estes servem para manter o desenvolvimento e a subsistência do próprio projeto ou programa para que venham a atender sempre mais as demandas da própria comunidade, dos "usuários finais".

Os projetos ou desenvolvedores, sendo ajudados (dos mais diversos modos) ou financiados, podem ampliar seu nível de atuação no software, produzir softwares com mais rapidez, com maior qualidade, que se tornarão disponíveis para livre uso de toda a comunidade em todo o mundo.

d) Inaugura um novo fórum para ação democrática - Segundo o European Working Group on Libre Software (2000, p. 13), a dinâmica do software livre e seus projetos abre espaço para que democraticamente os "usuários finais" dos softwares em desenvolvimento opinem e direcionem o próprio caminho do projeto, as prioridades, o que precisa ser feito, o que precisa ser melhorado, entre outras coisas.

e) Amplia a possibilidade de promoção de infoinclusão - O software livre é hoje a melhor alternativa para o grande número de telecentros3, pontos de infoinclusão, pontos de acesso, quiosques e as mais diversas remodelagens de computadores que necessitem de um sistema operacional para funcionar. É inviável para muitas experiências que lutam para promover sua sustentação que, para iniciar seu trabalho, devam pagar licenças a uma empresa estrangeira e não aplicar esse dinheiro na própria experiência em curso. Muitas nem possuem esse valor. O software livre felizmente atende a todas as necessidades dessas instituições e é usado na maioria das experiências que se dedicam a essa luta. Hoje existem distribuições próprias para rodar na especificidade de um telecentro, como o Sacix (http://www.sacix.org.br), customização brasileira do Debian.

f) Sistemas operacionais ilegais - Empresas e instituições passam pelo dilema moral de possuir em suas máquinas programas não licenciados e por isso em situação criminal diante da Justiça Brasileira. São programas4 como o Photoshop CS2© (edição de imagens) que custa R$ 1.725,00, o Corel Draw X3© (para imagens vetorizadas) que custa U$ 279,00, o MS Office 2007 Professional© (pacote de escritório) por R$ 1.599,00, o MS Windows Vista Business Full© por R$ 489,00, o AutoCad© (programa específico para arquitetura) por U$ 799,00 e o Adobe Premiere© (para edição de vídeo) por U$ 799,95.

O valor unitário de alguns destes programas pode não impressionar à primeira vista, mas quando multiplicamos esses valores por 100 computadores, 200, 1000 ou mais, os valores assustam. É um imperativo ético respeitar os direitos de propriedade constituídos por uma pessoa ou instituição. Não é admissível fazer-se uso da produção de alguém para qualquer fim que seja sem ao menos o seu consentimento. O software livre é uma real alternativa ao pagamento de licenças a essas grandes empresas.

g) A luta contra os monopólios - Uma outra razão para o uso do software livre que perpassa também o campo da economia é a luta contra os grandes monopólios hoje constituídos. Os monopólios não trazem nenhum bem à sociedade, nem mesmo ao próprio capitalismo e ao neoliberalismo. O monopólio desmonta o mercado e qualquer tipo de concorrência na sua área de atuação.

Usar software livre é uma forma de lutar contra esse tipo de estrutura, abrindo o espaço para que outras instituições ou empresas possam entrar em cena, seja para distribuir softwares livres, seja para customizá-los, adaptá-los às suas necessidades, desenvolver softwares livres ou oferecer suporte em algum deles.

h) Há sempre a possibilidade de "criar um novo caminho" - Este tópico, apesar de estar vinculado aos de cunho filosófico, tem estreita relação com o tecnológico. Existem momentos na história de projetos de softwares livres em que empresas tornam-se tão interessadas no projeto que decidem sustentá-lo financeiramente. Até aí, nenhum problema! O que acontece é que muitas destas empresas, por financiarem projeto, sentem-se "donas" do mesmo, sentindo-se no direito de traçar-lhe os rumos, as metas, tomar posse do projeto, retirando-o das mãos da comunidade. Um exemplo tácito e recente disso foi a encruzilhada (fork) que o projeto Mambo5 passou. O Mambo nasceu como software proprietário criado pela empresa Miro. Em abril de 2001, teve seu código fonte disponibilizado e licenciado sob a GPL6. Contudo, em agosto de 2005, o projeto foi "entregue" à recém-criada Mambo Foundation. Com essa transição,

[...] os desenvolvedores teriam apenas uma participação passiva e pouco representativa. Os desenvolvedores, preocupados com a integridade do projeto e com o futuro dos utilizadores, não aceitaram e criaram o Joomla 1.0, também open source a partir do código fonte do Mambo 4.5.27.

Esse fork só é possível graças à disponibilidade do código fonte. Qualquer projeto que venha a ser "tomado" por alguma empresa pode ser mantido livre pela comunidade que dele se afeiçoou e desenvolve. É uma motivação tanto no campo filosófico, porque não é necessário submeter-se a determinada perspectiva filosófica, quando não se concorda com ela, e tecnológica, porque há liberdade para continuar o projeto com outro viés devido ao código fonte disponível, e mais, devido a uma comunidade que compartilha os mesmos sonhos e ideais.

i) O software não devia ser proprietário - Uma última razão de cunho filosófico, segundo o resultado da pesquisa da Softex (2004, p. 21), está na resposta à pergunta realizada em uma enquete da pesquisa: "Quais são as suas razões para usar ferramentas SL/OS?". Um número de 724 desenvolvedores e de 705 usuários responderam que eles usam software livre porque "o software não devia ser proprietário".

O software, como qualquer outra produção humana, como bem defendia Álvaro Vieira Pinto, conforme apresentado no primeiro capítulo, pertence à humanidade, porque se não fossem as diversas descobertas científicas que foram compartilhadas, publicizadas, estes não teriam chegado a criar ou desenvolver inovações. É preciso percorrer diversos degraus para se chegar ao conhecimento novo, e necessariamente esses degraus foram postos, foram criados por alguém em algum momento da história humana, e por isso, sendo este saber imprescindível àquele que dele advém, não pode ser privatizado, patenteado, reservado; deve, sim, estar disponível a toda a humanidade porque a ela pertence.

 

RAZÕES DE CUNHO TÉCNICO

a) A disponibilidade do código fonte - Melhorar e adequar o que for necessário. A disponibilidade do código fonte é uma das principais vantagens do uso do software livre. Ter acesso ao código fonte implica em conhecer o software, não como alguém que só conhece as aparências, mas como aquele que conhece a alma daquele programa. Devido ao acesso ao código, e se tenho os conhecimentos necessários sou capaz de manipular esse código promovendo alterações. Essas alterações podem servir para dois fins específicos:

a.1) Melhorar: muitas vezes existem problemas que precisam ser solucionados; é preciso aumentar a performance do software em algum processo; necessita-se adicionar uma nova funcionalidade ou remover uma desnecessária, entre tantas outras razões pelas quais o acesso ao código fonte é fundamental para promover a melhoria do programa.

a.2) Adequar: com o acesso ao código fonte, posso também customizar (adaptar) esse programa para que atenda as minhas necessidades específicas. Posso mudar suas cores, suas caixas de diálogo, seus menus, a sua forma de interação com o "usuário final", traduzi-lo, alterar ícones, fotos, imagens; enfim, tenho a liberdade de adequá-lo da forma que eu quiser para que atenda às minhas necessidades.

b) O direito de redistribuir - Devido às licenças livres - me refiro aqui especificamente à GPL -, temos o direito garantido de redistribuir estes programas e suas alterações, sem infringir os direitos autorais daquele programa; isto é, não só poderei fazer uso pessoal desse programa e dos melhoramentos/adaptações que tenha feito para meu uso particular, mas também poderei compartilhar esse programa ou suas versões melhoradas com a comunidade.

Com a possibilidade de redistribuir o programa e todas as alterações, forneço à comunidade um material de grande valia. É muito provável até que se forme uma comunidade ao redor desse software, uma comunidade colaborativa como discutimos antes. Comunidade esta que virá a contribuir mais ainda para a melhoria do programa, para a correção de erros (bugs), para a sua publicação.

c) O direito de usar o software para qualquer fim - Embasados ainda na GPL, é garantido a nós o uso do software livre para qualquer fim. Esta liberdade é muito benéfica porque não se faz necessário pedir a um número exaustivo de pessoas a autorização para qualquer uso que se pense em fazer do programa. Se quero usá-lo na minha escola, eu simplesmente o uso; se agora quero adaptá-lo para usar na universidade, sou livre para fazê-lo; se quero novamente adaptá-lo para usar como ferramenta para a promoção de educação a distância, nada me impede de realizá-lo; tenho a liberdade garantida, sem incorrer em falta alguma.

d) Não somos reféns da tecnologia proprietária - Esta razão é apresentada por diversos dos autores citados no início deste tópico. O código fonte - entendido pelo European Working Group on Libre Software neste contexto como uma caixa preta, isto é, que armazena informações fundantes daquele programa -, caso se perca, todo o "segredo" do programa se perde junto com ele. É o que aconteceu e acontece com diversos softwares proprietários que, por não disponibilizarem seus códigos fontes, quando vêm a falir ou "saem do negócio", com eles morre ou é soterrado toda e qualquer possibilidade de que outras pessoas venham a realizar alterações, melhorar, corrigir bugs, adaptar, manter esse programa. E mais, se somos fiéis clientes daquele programa, com ele acabamos por "afundar" também. O que resta ao cliente é migrar para a versão nova que o fornecedor tenha desenvolvido ou, caso descontinue o software, partir para uma outra empresa, para um outro software.

Se o fornecedor decidir, por razões que lhe são peculiares, descontinuar um produto, ou uma linha de produtos, para lançar uma 'nova' e 'melhorada' versão, os usuários não têm outra alternativa a não ser adotar esta nova versão e arcar com os custos da migração de seus sistemas (HEXSEL, 2002, p. 12).

Com o software livre não se corre esse risco porque, devido ao acesso ao código fonte, somos capazes de dar continuidade ao programa mesmo que a empresa que o mantêm retire seu financiamento ou abandone o mercado. É possível manter o desenvolvimento do software com programadores que tenham conhecimentos na linguagem de programação em que o programa foi feito sem qualquer limitação legal ou prática.

e) Não estamos sujeitos ao ciclo da obsolescência do hardware - Segundo Hexsel (2002, p. 13), as empresas incham os programas com funcionalidades e ferramentas, que ele chamou de cosméticas, sendo que grande parte dos usuários não as usam porque não tem utilidade, só tornam o programa maior (ocupando mais espaço em disco) e mais pesado (maior uso de memória RAM8 do computador).

Este movimento de inchaço do software exige máquinas com mais espaço em disco e com maior memória (quando não exigem outras coisas, como uma placa de vídeo no caso de jogos), criando uma vinculação e um ciclo de dependência entre hardware e software, o que beneficia as grandes produtoras de equipamentos em seus acordos/parcerias com as grandes fabricantes de software. Um exemplo é a comparação entre alguns dos requisitos mínimos para hardware exigidos pelo MS Windows XP Professional©, o MS Windows Vista Home Premium©, e aproveitamos para apresentar os requisitos de uma das distribuições mais usadas no mundo livre, o Ubuntu. Veja o quadro abaixo:

 

Windows XP Pro1

Windows Vista Home Premium2

Ubuntu com Interface Gráfica3

Ubuntu sem

Interface Gráfica³³

Processador

Pentium 233

32 bits de 1 gigahertz ou 64 bits de 1 GHz

Pentium 100

Pentium 100

Memória

64 MB (128 MB Recomendado)

1 Gigabytes (GB)

128 Megabytes (MB)

32 MB

Espaço em Disco (HD)

1,5 GB (Mínimo)

15 GB

2 GB

400 MB

Outros recursos

Unidade de CD-ROM ou DVD-Rom, etc

128 MB de memória gráfica, Unidade de DVD interna ou externa

Unidade de CD-ROM

Unidade de CD-ROM

1Disponível em: http://support.microsoft.com/kb/314865/pt-br. Acesso em: 26 jul. 2007.

2Disponível em: http://support.microsoft.com/kb/919183. Acesso em: 26 jul. 2007.

3Disponível em: https://help.ubuntu.com/6.10/ubuntu/installation-guide/i386/minimum-hardware-reqts.html. Acesso em: 26 jul. 2007.

 

O software livre tem uma forte vantagem sobre o proprietário porque normalmente não está submetido às pressões do mercado, ou pelos necessários lançamentos ou por acréscimo de funcionalidades para "encher os olhos" de ávidos compradores.

f) Outras vantagens - A partir dos resultados primários apresentados no texto "Pesquisa Impacto do Software Livre na Indústria de Software do Brasil" (SOFTEX, 2004, p. 8) foi possível levantar mais algumas vantagens tecnológicas de uso do software livre. Eis algumas delas:

  • Robustez: o software livre é normalmente utilizado em servidores de alto risco, devido à sua capacidade de suportar processos de alto grau de complexidade e exigência.

  • Segurança: essa vantagem é fulcral sobre o software proprietário. Aquele que não conhece o código fonte não sabe quais os processos que estão se passando por detrás do uso daquele software; isto é, esse programa pode estar capturando informações do seu computador (como o fazem os programas espiões) e, por não termos o acesso a esse código, somos vítimas fáceis de programas maliciosos (malwares)12. A própria Comissão Européia13, no ano de 2004, exigiu que parte do código dos softwares da Microsoft© fossem abertos para outras empresas no intuito de combater o monopólio da empresa. Sabe-se o quanto é arriscado confiar segredos de estado ou país em um programa que não se conhece na essência. Não é possível confiar na boa vontade, idoneidade de grandes corporações. Não estamos querendo gerar nenhum tipo de polêmica com essas afirmações, mas somente deixar claro que, no momento em que não conhecemos o código, podemos ser, ou já estamos sendo, vítimas de qualquer tipo de invasão à nossa privacidade, entre outros infortúnios. Qualquer empresa que tenha uma séria preocupação com a segurança não deveria usar qualquer tipo de software de código fechado.

  • Flexibilidade: o acesso ao código fonte nos dá um nível de flexibilidade inexistente no software proprietário. Temos a liberdade para adaptá-lo ao nosso bel prazer, modificá-lo para que atenda às nossas necessidades, da nossa instituição ou da nossa empresa. O programa pode usar as cores de nosso gosto, as fontes, a disposição dos objetos; enfim, qualquer coisa é customizável quando temos acesso ao código.

  • Qualidade: com freqüência, os projetos de software livre tem maior qualidade que os de software proprietário. Essa qualidade advém do movimento colaborativo que sustenta o software livre. Enquanto que no software proprietário o número de desenvolvedores, testadores do software não é muito alto, no software livre temos testadores do mundo inteiro, centenas, milhares de pessoas usando, testando, apresentando erros, problemas, necessidades, propondo correções, traduzindo para as mais diversas línguas, refletindo acessabilidade, entre outras coisas. É este processo de colaboração que não se encerra em um laboratório de uma grande empresa, mas que tem o mundo por fonte de retroalimentação, que promove a geração de softwares de alta qualidade, como os que têm sido produzidos, fruto de um saber compartilhado.

  • Estabilidade: os softwares livres, em sua grande maioria, são muito mais estáveis que os proprietários. Incorrem em menos problemas, em menos erros ou finalizações inesperadas, travamentos e coisas do gênero.

  • Confiabilidade/Transparência: quando conhecemos o código e nos apropriamos dele, podemos estar mais tranqüilos com relação ao que "está rodando por detrás", quais as rotinas, procedimentos que este ou aquele software está realizando que nos escapa aos olhos. O software é transparente para nós, não há nada de oculto. Esta vantagem tecnológica está diretamente vinculada à segurança.

  • Disponibilidade: o software livre, pela sua própria natureza de software público, compartilhado e sem restrições de direitos autorais para disponibilização na web, se torna muito mais comum, mais partilhado, por isso mais acessível. Pode estar disponível em qualquer página da web, no meu ou no seu site, sem nenhum problema.

  • Privacidade: com o software livre, o respeito à nossa privacidade pode ser atestado devido à possibilidade de acesso ao código fonte.

  • Escalabilidade: o software livre é capaz de atender a simplicidade de uma pequena empresa ou instituição como também a magnitude de uma empresa gigante, sejam elas máquinas PCs ou servidores.

  • Interoperabilidade: o software livre propicia uma maior aderência a padrões de interoperabilidade14.

  • Disponibilidade de "recursos humanos" qualificados: com o crescimento do número de "usuários finais" e de empresas usuárias do software livre, aumentou no mercado a demanda por profissionais qualificados para atenderem essa demanda específica. Ao mesmo tempo, cresceu a quantidade de cursos, de pós-graduações relativas a esses softwares. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC - http://www.senac.br) tem proporcionado com freqüência cursos de programação usando linguagens livres e sobre o GNU/Linux. E quanto menos empresas e o governo brasileiro comprarem softwares importados, enviando royalties para o exterior, mais poderá ser investido nos profissionais locais, em tecnologias genuinamente brasileiras.

 

RAZÕES DE CUNHO ECONÔMICO

a) Não estamos presos a um único fornecedor - Este benefício, apesar de estar intrinsecamente conectado à razão - "Não somos reféns da tecnologia proprietária" -, tem a sua especificidade. Devido ao acesso ao código fonte, mesmo que uma empresa que presta suporte, por exemplo, venha a falir, devido a esse acesso, é possível que outra empresa, dominando o código e conseqüentemente dominando o programa, seja capaz de dar continuidade naquele suporte, no oferecimento de determinados serviços ou mesmo para atualizar o programa. Com o acesso ao código, muitas empresas também podem entrar no mercado, aumentando as possibilidades de escolha do melhor produto, atendimento, preço etc. É possível até contratar desenvolvedores para que prestem internamente o mesmo serviço que a empresa anterior prestava.

b) Não há preocupação com as pressões do mercado - A maioria dos projetos de software livre não possuem nenhuma vinculação com empresas. São produções independentes de desenvolvedores que resolveram livremente escrever um software que atendesse a sua necessidade e acabaram por encontrar eco em outros desenvolvedores. Desse modo, estes projetos não estão presos às demandas do mercado do software, seja por prazos, seja pela exigência de desenvolvimento de ferramentas que dêem mais lucro, que vendam mais e coisas afins. Normalmente, o software é "entregue" à comunidade quando está pronto, isto é, quando está em uma versão passível de publicação dita estável, mesmo que se possa ter acesso à versão instável.

c) Custo inicial próximo do zero - Para se ter acesso ao software livre, às grandes distribuições, a única coisa necessária é um computador com acesso a internet e um gravador de CD ou mesmo receber o CD já gravado de alguém. Todas as grandes distribuições (distros) estão disponíveis para serem baixadas nos seus sites. A instalação da maioria das distros é bem orientada e auto-explicativa; qualquer "usuário final", lendo bem as instruções, é capaz de realizar a instalação com sucesso. Com relação à instalação de programas e uso do sistema operacional, o próprio programa já vem com uma ajuda detalhada e, caso esta não satisfaça, é possível realizar buscas na web e encontrar-se-á um grande número de materiais, apostilas, guias, tutoriais para toda e qualquer atividade que se queira fazer no GNU/Linux.

Quando falamos em empresas, ONGs ou outras instituições que possuem prazos, demandas que precisam ser atendidas, além de possuírem um setor de informática constituído para a gerência de seus servidores e sistemas, possuem também a equipe de suporte. É aquela que está disponível para atender as dificuldades dos "usuários finais" com o sistema operacional em voga, com os sistemas e com problemas de hardware, entre outros.

No GNU/Linux não é diferente, as mesmas tarefas executadas nos sistemas proprietários serão necessárias no software livre. Não falamos aqui em aumento de custos, mas em mudança de base. Antes, o suporte era dado para as dificuldades dos "usuários finais" com MS Windows, agora será dado para as dificuldades com o GNU/Linux por substituição. É certo que o profissional para este tipo de trabalho é um profissional específico que não se encontra com abundância no mercado (mas está se ampliando) como aqueles profissionais mais experientes no software proprietário.

Com relação ao hardware temos um outro ponto de economia de custos. Frequentemente o GNU/Linux é mais leve que o MS Windows©, possibilitando assim que máquinas antigas sejam utilizadas com tranqüilidade, sem sofrer com a obsolescência programada, evitando atualizações (upgrades) ou compra de novas máquinas. Podemos ainda acrescentar que não há obrigação do pagamento de taxas para se ter acesso ao código fonte de um programa, mesmo que seja para gerar um novo a partir deste (a GPL não proíbe a cobrança pelo software, contudo o código fonte sempre deve estar disponível).

d) "Suporte abundante e gratuito" - O suporte para o software livre, diferente da forma como acontece no software proprietário, normalmente não advêm com freqüência dos vizinhos próximos, mas de vizinhos distantes por meio de fóruns, wiki's, listas de discussão, sites, tutoriais, ajudas, manuais, entre outras formas. O software proprietário que sempre foi a única alternativa ao usuário final e que tem uma longa história de uso por estes, acabou por desenvolver uma gama de usuários e de pessoas que trabalham com suporte.

O diferencial do suporte da comunidade do software livre é que ela funciona 7 dias por semana e 24 horas por dia. O atendimento normalmente dura poucas horas, às vezes minutos. Um exemplo com o qual costumo vibrar é com a lista de discussão da comunidade do BrOffice.org, em que pessoas postam suas dúvidas e acontece de chegar até em menos de 5 minutos a resposta de como se executa este ou aquele procedimento no programa, como já aconteceu com o pesquisador.

Associado a isso, temos os diversos manuais, tutoriais, ajudas traduzidos ou produzidos por usuários comuns, avançados ou desenvolvedores sobre as mais diversas questões, atendendo a todos os gostos. A comunidade normalmente está organizada em comunidades de "auto-ajuda" em torno da distribuição de sua escolha. Os fóruns e as listas de discussão são os espaços mais comuns para se fazer questões, apresentar dúvidas, indagações. Aqueles que sabem minimamente escrever em inglês podem ter acesso aos fóruns internacionais, onde pessoas do mundo inteiro serão seus pares e os ajudarão a resolver problemas, entre outras coisas.

A cada dia surgem novos sites, manuais, vídeos, áudios, todo tipo de material nos mais diversos formatos para ajudar aqueles que estão envolvidos na comunidade do software livre. Esse suporte já chegou a ser eleito pela Revista Infoworld (http://www.infoworld.com) como o "Melhor Suporte Técnico" no ano de 1998 e 1999 (HEXSEL, 2002, p. 14).

e) Condições de empregabilidade - À medida que o software livre vai se tornando mais comum nas residências, nas empresas, nas instituições, nas escolas, universidades e em outros espaços, acaba por se tornar um "diferencial competitivo" conhecer e saber manipular o GNU/Linux.

f) Preocupação com a língua.

 

O Movimento - Iniciativas

a) Alternativas no campo da música

Overmundo => http://www.overmundo.com.br

Estúdiolivre.org => http://estudiolivre.org

Cchits => http://cchits.ning.com/recent/

Jamendo => http://www.jamendo.com

Opsound => http://www.opsound.org/

Soundclick=> http://www.soundclick.com/

CCmixter => http://ccmixter.org/

CCnelas => http://ccnelas.blogspot.com/

Magnatune => http://www.magnatune.com

Archive.org => http://www.archive.org/details/audio_music

Remixtures => http://remixtures.com/

 

b) Alternativas no campo da arte digital

Artlibre => http://artlibre.org

Snowbros => http://snowbros.blogspot.com/

Estúdiolivre.org => http://estudiolivre.org

Archive.org => http://www.archive.org/details/artsandmusicvideos

 

c) Alternativas no campo de vídeo

Archive.org => http://www.archive.org/details/animationandcartoons

Estúdiolivre.org => http://estudiolivre.org

Midia Independente => http://www.midiaindependente.org/pt/blue/static/video.shtml

The Vacuum Cleaner => http://www.thevacuumcleaner.co.uk/video.html

Space Hijackers => http://www.spacehijackers.co.uk/html/video.html

Big Buck Bunny => http://www.bigbuckbunny.org/index.php/download/index.php

1 Mais informações: http://www.worldofwarcraft.com.

2 Mais informações: http://www.blizzard.com.

3 "Os Telecentros são espaços com computadores conectados à internet em banda larga, para uso público, livre e gratuito". Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Telecentro. Acesso em: 26 jul. 2007.

4 Todos os valores foram levantados pelo site www.buscape.com.br em reais e www.amazon.com em dólares no dia 11 de fevereiro de 2007.

5O Mambo, agora conhecido por Joomla, é um gerenciador de conteúdo, capaz de criar, com incrível facilidade, páginas da internet, adicionados inúmeros recursos desenvolvidos pela própria comunidade. Mais informações no site: http://www.joomla.org.

6Disponível em: http://mambo-foundation.org/content/view/21/2/. Acesso em: 26 jul. 2007.

7 Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Joomla. Acesso em: 26 jul. 2007.

8 Memória RAM (Random Access Memory), ou memória de acesso aleatório, é um tipo de memória que permite a leitura e a escrita, utilizada como memória primária em sistemas eletrônicos digitais. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mem%C3%B3ria_RAM. Acesso em: 26 jul. 2007.

9Disponível em: http://support.microsoft.com/kb/314865/pt-br. Acesso em: 26 jul. 2007.

10Disponível em: http://support.microsoft.com/kb/919183. Acesso em: 26 jul. 2007.

11Disponível em: https://help.ubuntu.com/6.10/ubuntu/installation-guide/i386/minimum-hardware-reqts.html. Acesso em: 26 jul. 2007.

12 O termo Malware é proveniente do inglês Malicious Software; é um software destinado a se infiltrar em um sistema de computador alheio de forma ilícita com o intuito de causar algum dano ou roubo de informações (confidenciais ou não). Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Malware. Acesso em: 26 jul. 2007.

13 Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u104600.shtml. Acesso em: 5 ago. 2007.

14 Interoperabilidade é a capacidade de um sistema (informatizado ou não) de se comunicar de forma transparente (ou o mais próximo disso) com outro sistema (semelhante ou não). Para um sistema ser considerado interoperável, é muito importante que ele trabalhe com padrões abertos. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Interoperabilidade. Acesso em: 26 jul. 2007.